Seul - Entre Brasília e Seul, o Airbus presidencial, comprado com o argumento de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva necessitava de um avião com maior autonomia de vôo, precisou de duas escalas de reabastecimento para cumprir os cerca 20 mil quilômetros que separam as duas capitais.
O vôo até o Oriente durou 26 horas, com paradas técnicas em Las Palmas, nas Ilhas Canárias, e em Yekaterinburg, área de segurança nacional na Rússia. Empresas comerciais oferecem viagens de distância equivalente com apenas uma parada.
É verdade que o aparelho levou vantagem na comparação com o antecessor o velho Boeing conhecido como Sucatão. Usado para transportar até a capital sul-coreana a equipe de funcionários enviada, antecipadamente, para acertar os últimos detalhes da visita, o Sucatão precisou de uma escala a mais, realizada em Manaus.
Uma alegação repetida à época da compra era a de que Lula deveria ter à disposição um avião que viajasse da capital federal para cidades da Europa sem necessidade de paradas de provimento de combustível. Mas, quando ele foi a Roma para os funerais do Papa João Paulo II, por exemplo, o Airbus fez uma escala no Recife.
O aparelho pousou na Base Aérea de Seul às 21h50 de ontem (9h50, no horário de Brasília). Lula desembarcou acompanhado pela primeira-dama, Marisa Letícia Lula da Silva, e por cinco ministros Antonio Palocci (Fazenda), Celso Amorim (Relações Exteriores), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Roberto Rodrigues (Agricultura) e Dilma Rousseff (Minas e Energia).
Durante o vôo, o presidente tinha realizado uma longa reunião privada com eles. Deputados e governadores que integram a comitiva não participaram do encontro. Nos momentos de relaxamento, Lula ouviu os sucessos do cantor e compositor Zeca Pagodinho.
Foram comemorados a bordo os 31 anos de casamento com Marisa, sob aplausos dos acompanhantes. O séquito assistiu ainda ao filme ''Gaijin 2'', da diretora Tizuka Yamazaki, que deverá estrear no circuito comercial neste ano. A fita conta a trajetória de descendentes de imigrantes japoneses que, a partir do fim dos anos 80, retornaram ao Japão em busca de melhores condições de vida.
Trata-se de um tema que, no momento, deve despertar especial interesse no presidente, que, amanhã, deverá discutir com o primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, a situação dos cerca de 300 mil brasileiros residentes no país. No sábado, Lula terá um encontro com a comunidade dekassegui de Nagóia.(Leia mais no Caderno de Economia)

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