France Presse
De Manila

As festas da semana santa serão enlutadas nas Filipinas, devido à morte dos 131 ocupantes do Boeing 737 da Air Philippines, que caiu ontem no sul do arquipélago, a maior catástrofe aérea do país.
Os restos carbonizados do avião foram encontrados na ilha de Samal, pouco depois que o piloto cancelou sua descida no aeroporto de Davao, após ter visto outro avião na pista, informaram as autoridades aeroportuárias.
Após dar uma volta, o piloto informou que já estava vendo a pista ‘‘e foi esta a última comunicação que nos chegou’’, declarou uma autoridade do aeroporto de Davao a uma emissora de rádio.
A televisão local mostrou imagens de corpos mutilados em uma parte de terreno ainda fumegante em meio a uma plantação de cocos. Um sacerdote católico molhava os corpos com água benta.
‘‘Segundo as informações que recebemos, não deve haver nenhum sobrevivente’’, declarou o ministro filipino de Defesa, Orlando Mercado.
Os representantes da companhia aérea afirmaram que o vôo, lotado devido aos feriados da semana santa, decolou do aeroporto de Manila às 5h20 locais de ontem (18h21 de anteontem em Brasília) com 124 passageiros e sete tripulantes a bordo.
O avião chegaria ao aeroporto de Davao, na ilha de Mindanao, às 6h45 (19h45 de anteontem pelo horário de Brasília) e os controladores em terra afirmaram que o piloto tinha estabelecido seu último contato às 7h01 (20h01).
Segundo Lea Sison, responsável pelo departamento de clientela da Air Philippines, o gravador de comunicações da cabine e a caixa que contém os dados do vôo ainda não foram encontrados.
‘‘Não houve nenhuma comunicação referente a problemas de motor, não se assinalou nenhuma anomalia do avião’’, declarou Sison, desmentindo assim declarações de outro dirigente da companhia, segundo quem o piloto teria assinalado uma avaria do motor.
O ministro filipino de Transporte, Willy Evangelista, disse que o acidente pode ter sido causado por ‘‘um erro do piloto’’, mas Sison se recusou a abordar a questão.
‘‘Não temos conhecimento disso, tudo o que pudesse dizer a respeito seria pura especulação’’, declarou à AFP.
O avião foi submetido a um exame completo antes do vôo e o piloto filipino era um profissional experiente, adiantou.
Sison assinalou que duas famílias com sobrenomes aparentemente ‘‘estrangeiros’’ estavam a bordo, mas explicou que os passageiros não tinham de comunicar sua nacionalidade no momento de comprar a passagem.
A catástrofe, a maior registrada no país, ocorreu pouco mais de dois anos depois do acidente com um DC 10 da Cebu Pacific Air, que se chocou com uma montanha no Sul do arquipélago em fevereiro de 1998, causando a morte dos 104 ocupantes.
Além disso, é o segundo desastre nas Filipinas nos últimos dias. O primeiro foi o naufrágio de um ferry na semana passada, na ilha sulista e Jolo, quando morreram 143 pessoas.Piloto abortou aterrissagem no aeroporto de Davao, no sul do arquipélago, e logo depois caiu, explodindo sobre um plantação de cocos
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