Avança em Montreal discussão do Protocolo de Biossegurança
Associated Press
De Montreal
Negociadores fizeram progresso na terça-feira na resolução de algumas das questões que bloquearam um tratado sobre o tráfego internacional de organismos geneticamente modificados, disseram delegados em uma reunião da ONU em Montreal, Canadá.
Delegados relataram progressos no que diz respeito a como o protocolo se aplicaria a remessas de mercadorias e a quais tipos de produtos geneticamente modificados seriam isentos do regulamento.
Há quase um ano o Protoloco de Biossegurança é perturbado por desavenças entre países em desenvolvimento e os Estados Unidos e um punhado de outros exportadores de produtos agrícolas. Reuniões em Cartagena, Colômbia, em fevereiro, foram interrompidas depois que seis países, incluindo os Estados Unidos, bloquearam um projeto que já havia sido aprovado pelas outras 125 delegações.
O Canadá é um dos cinco países que se juntaram aos Estados Unidos na oposição ao acordo de Cartagena. Os outros quatro são a Argentina, o Chile, o Uruguai e a Austrália.
Negociadores concordaram na terça-feira em começar a discutir qual será a relação do protocolo da ONU com a Organização Mundial do Comércio (OMC) e outros acordos internacionais possivelmente o assunto mais espinhoso em pauta.
Os Estados Unidos preferem um tratado que permita que países recusem produtos geneticamente modificados apenas se uma avaliação científica de risco demonstre que podem ocorrer danos ambientais, de forma muito parecida às regras atuais da OMC. Mas países em desenvolvimento e ambientalistas gostariam de ver um acordo mais amplo que dê aos países o direito de recusar remessas de produtos geneticamente modificados simplesmente porque seus efeitos ambientais são desconhecidos.
Ambientalistas temem que organismos geneticamente modificados possam causar desastres ambientais. Se plantas geneticamente modificadas escapassem para o meio ambiente, poderiam eliminar plantas nativas, disseminar resistência a pesticidas e antibióticos que combatem ervas-daninhas e pragas ou expor organismos benéficos a toxinas.
No ano passado, um estudo da Universidade de Cornell revelou que uma espécie de borboleta, a Danaus archippus, é envenenada por uma espécie de milho geneticamente modificado para produzir a toxina Bt, um pesticida natural.
Produtos alimentares geneticamente modificados já representam um ramo enorme do comércio. Nos Estados Unidos, uma grande porcentagem dos produtos agrícolas já é geneticamente modificada e mais de 28 milhões de hectares foram utilizados para o plantio e a criação de espécies modificadas no mundo inteiro em 1999. Peixes, árvores e bactérias geneticamente modificados também estão sendo introduzidos no mercado.





