São Paulo - Com receio de atentados por causa da vitória da seleção iraquiana na Copa da Ásia de futebol, autoridades iraquianas proibiram a circulação de veículos em vários lugares do Iraque, incluindo Bagdá. A medida vigora nas cidades de Bagdá e Kirkuk e na província de Ninawa (norte) até às 6 horas de hoje.
A suspensão do tráfego foi decidida para evitar atentados e incidentes como os que ocorreram após a vitória da seleção iraquiana sobre a Coréia do Sul nas semifinais da Copa da Ásia, disputadas em Kuala Lumpur (Malásia).
Na quarta-feira, 50 pessoas morreram e 135 ficaram feridas em dois atentados com carros-bomba contra torcedores que comemoravam em Bagdá a vitória de sua equipe. A maioria dos mortos era de torcedores em festa. Tiroteios durante as comemorações também mataram ao menos três pessoas.
A TV estatal iraquiana chegou a divulgar na última quarta-feira um alerta de comandantes militares pedindo às pessoas para não usarem armas ou atirarem para o alto durante a comemoração. Apesar da advertência, vários iraquianos dispararam pistolas e rifles nas ruas.
O jogo foi válido pela semifinal da Copa da Ásia, e o Iraque venceu por 4 a 3 nos pênaltis, depois de empate sem gols no tempo regulamentar e na prorrogação. Com a vitória, o Iraque disputou pela primeira vez a final do torneio. A seleção iraquiana acabou vencendo a da Arábia Saudita, por 1 a 0, com um gol de Younis Mahmoud.
Violência - A polícia de Bagdá encontrou 20 corpos de pessoas assassinadas a tiros no fim de semana em diversos pontos da cidade. Os corpos estavam com as mãos atadas, os olhos vendados e com evidentes sinais de tortura. Não foram encontrados documentos de identificação e, por isso, foram transferidos ao principal depósito de cadáveres da capital para posterior identificação.
Os milhares de corpos encontrados em Bagdá e outras regiões do país nos últimos 19 meses pertencem a pessoas que foram sequestradas e assassinadas no marco da violência entre xiitas e sunitas.
A violência confessional começou em fevereiro do ano passado, após um atentado que destruiu parte de um importante santuário xiita da cidade de Samarra, ao norte da capital, e que foi atribuído a um grupo radical sunita.
EUA e Reino Unido
Pressão - O pouco progresso na contenção da violência no Iraque alimenta a pressão sobre o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para retirar suas tropas do país árabe.
Dois importantes senadores republicanos, John Warner e Richard Lugar, apresentaram em julho uma proposta de lei que exigiria a Bush apresentar em meados de outubro um plano para reduzir consideravelmente as tropas americanas no Iraque até o final do ano.
No último dia 12, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou, por 223 votos a 201, um projeto de lei que prevê que o Pentágono comece a retirar soldados do Iraque dentro de quatro meses e conclua a retirada da maior parte das tropas até abril do próximo ano.
Oficiais iraquianos, no entanto, temem que uma retirada prematura de tropas possa causar um vácuo perigoso na segurança. Principal aliado dos Estados Unidos, o Reino Unido já avança na retirada de soldados na região de Basra, no sudeste iraquiano, segundo informa o jornal ''The New York Times''.
De acordo com a publicação, tanto os britânicos quantos os americanos, no entanto, estão céticos em relação à capacidade da força de segurança iraquiana em manter a segurança local. Comandantes das tropas britânicas evitam mencionar datas sobre a retirada com medo de ataques extremistas.

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