Autoridades interrogam Baby Doc
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Folhapress 
São Paulo - O ex-ditador do Haiti Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc, foi interrogado por autoridades haitianas ontem, no quarto do hotel em que está hospedado, em Porto Príncipe. Cerca de dez policiais, o promotor Aristides Auguste e o juiz Gabriel Ambroise foram ao Hotel Karibe, dois dias depois do inesperado retorno de Baby Doc ao país após 25 anos exilado na França. Eles não revelaram aos jornalistas o tema do encontro. A agência de notícias France Presse, que cita um funcionário judicial, disse que Baby Doc será preso. As autoridades não confirmam.
Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, pediram que as autoridades haitianas levassem Baby Doc à Justiça para responder pela morte e tortura de milhares de opositores nas mãos da milícia dos Tonton Macoutes durante seus 15 anos no poder.
Baby Doc governou o país entre 1971 e 1986. Uma multidão recebeu o ex-ditador no aeroporto internacional Toussaint Louverture, onde chegou acompanhado de vários colaboradores pouco depois das 17h30 (20h30 de Brasília).
A notícia da presença de Baby Doc de novo no Haiti 25 anos após ser derrubado por uma revolta popular e no meio da crise que vive o país circulou pela capital e foi retransmitida ao vivo por várias emissoras de rádio.
O retorno de Duvalier fez surgir perguntas na capital sobre o significado do retorno deste ex-líder, considerado, junto com seu pai, François, que governou entre 1957 e 1971, responsável por um regime que governou com mão de ferro, desprezo aos direitos humanos e corrupção. Seus governos são considerados responsáveis pela morte de milhares de opositores e do desvio de recursos significativos do país durante 29 anos.
O presidente haitiano, René Préval, advertiu em 1997, durante seu primeiro mandato, que Duvalier seria preso se retornasse ao Haiti.
Duvalier chegou ao poder em 1971, aos 19 anos, após a morte de seu pai, François Duvalier, o Papa Doc, que previamente o havia nomeado seu sucessor. Após permanecer na Presidência do Haiti até 1986, teve que exilar-se perante o agravamento da situação no país caribenho, indo para a França, onde morou em várias localidades durante todos estes anos.


