Aumento da violência assusta Uruguai
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domingo, 02 de setembro de 2018
Sylvia Colombo<b>Folhapress 
Montevidéu - A pacata capital uruguaia vive dias de tensão depois que o governo anunciou que o número de homicídios no país cresceu 66% na primeira metade de 2018 com relação ao mesmo período de 2017. Também subiram os registros de furtos a domicílios e assaltos à mão armada. Embora a violência continue baixa se comparada aos níveis da região, o país é um dos que registra aumento mais acentuado dos índices, segundo levantamento da ONG Insight Crime, que monitora o tema na América Latina. O índice de assassinatos por 100 mil habitantes no Uruguai é de 8,1 (e na capital Montevidéu, de 11), contraposto, por exemplo, a 30,8 no Brasil e 42,8 em Honduras.
Se nos bairros ricos das grandes cidades os principais problemas são furtos e assaltos, quem sofre com os homicídios são os bairros periféricos e portuários, no caso de Montevidéu, onde se concentraram 80% dos 218 assassinatos registrados no último semestre. Para o ministro do Interior, Eduardo Bonomi, "o aumento da violência é resultado do aumento dos enfrentamentos de gangues, muitas ligadas ao tráfico de drogas".
A regulamentação da venda da maconha, em julho de 2017, reduziu o mercado negro da droga em 25%, segundo dados oficiais, e diminuiu a violência ligada à comercialização, além de garantir a qualidade do produto aos usuários regulares registrados. Mas há um lado negativo. A diminuição do número de compradores que antes recorriam a traficantes fez com que estes passassem a disputar com mais violência o espaço reduzido para atuação.
O governo calcula que o mercado de consumo de maconha movimente US$ 40 milhões (R$ 164 milhões) ao ano, dos quais desde a aprovação da Lei da Maconha, em 2013, US$ 10 milhões passaram ao setor legal da economia. Já há 35 mil usuários registrados para consumir a droga pelos clubes de cultivo ou farmácias.Além disso, o presidente Tabaré Vázquez é um opositor da lei que a aplicou porque estava aprovada pelo Congresso, mas não deu continuidade ao plano previsto. "Não basta legalizar uma quantidade reduzida e não ter plano para discutir o uso das outras drogas, não investir nos programas de prevenção do consumo, na pesquisa e na contenção do crime organizado", diz Raquel Peryaube, presidente da Sociedade Uruguaia de Endocanabinologia.
Segundo relatório da Insight Crime, há no país ao menos 20 gangues ou pequenos cartéis dedicadas ao tráfico (principalmente de cocaína) que se aproveitam da posição estratégica da cidade portuária para exportá-las à Europa. O diretor nacional de Polícia do Uruguai, Mario Layera, afirma que o país "está caminhando para se transformar na Guatemala ou em El Salvador no que diz respeito à segurança, por causa da falta de investimentos". Vázquez promete anunciar um pacote de medidas para melhorar a segurança.


