Aumento da temperatura muda geografia da Terra
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2001
Vladimir Goitia Agência Estado De Buenos Aires 
O aumento da temperatura na superfície terrestre nas próximas décadas vai mudar a geografia do planeta e provocar alterações ainda mais significativas em países agrícolas como a Argentina. No ano passado, um grupo de arqueólogos encontrou em um glaciar em processo de descongelamento no Canadá o fóssil de um homem com aproximadamente 5 mil anos de antiguidade. Nos últimos 50 anos, o glaciar Upsala, na Argentina, perdeu 250 metros em sua altura. Esses dois fenômenos, afirmam os principais cientistas que estudam o clima no mundo, respondem a uma mesma causa: o aquecimento global.
Nos próximos 100 anos, a temperatura subirá entre 1,4 ºC e 5,8 ºC, com uma média de 3,5 ºC acima das estimativas anteriores, que eram de 1ºC a 3,5 ºC, feitas em 1995, diz um informe recente das Nações Unidas (ONU), divulgado esta semana em Shangai (China), durante a Conferência Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês). Inundações, grandes degelos e forte estiagem devem intensificar-se nos próximos anos na Argentina, acrescentam, por sua vez, cientistas argentinos. Isso, de acordo com eles, fará com que a geografia do país fique cada vez mais diferente à conhecida atualmente.
As mudanças climáticas poderão ser até benéficas, em alguns casos, mas a maior parte dessa alteração deverá impor obstáculos gigantescos à produção de alimentos e afetar a qualidade de vida da população, concluem os cientistas argentinos. O aumento da temperatura elevará a altura dos oceanos entre 9 e 88 centímetros nesse mesmo período de 100 anos, obrigando milhões de pessoas a se mudar ou abandonar suas terras, conclui o estudo da ONU.
O doutor Juan Carlos Labagra, professor do Centro Nacional Patagônico, afirma que as maiores mudanças climáticas na Argentina ocorrerão na região Noroeste, com variações de temperatura entre 1,2 ºC e 4,2 ºC.
As alterações dos padrões de precipitação pluvial devem fazer com que, até o final deste novo século, certas regiões sofram frequentes inundações ou estiagens rigorosas, afirma o professor. Para Labraga, essas mudanças podem permitir até novas oportunidades para os plantios e pastagens de animais, mas, ao mesmo tempo, imporão fortes restrições à agricultura.


