Aumentam a tensão e o impasse na Bolívia
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segunda-feira, 13 de outubro de 2003
Das Agências 
La Paz O presidente da Bolívia Gonzalo Sánchez de Lozada afirmou ontem que não vai renunciar a seu cargo, depois de uma reunião de emergência de seu gabinete e altos comandantes militares.
Apesar da ruptura do vice-presidente Carlos Mesa com o governo e o fato de a Nova Força Republicana (NFR) ter retirado seus três ministros do gabinete, o ''presidente conta com o apoio de seus ministros'', afirmou o ministro da Fazenda, Javier Comboni.
''Não vou renunciar. Levo muito a sério o mandato que recebi do povo e o juramento que fiz ante Deus, a Pátria e os sagrados Evangelhos'', afirmou o presidente liberal de 73 anos, em meio ao estado de convulsão social que atinge seu país e que cobrou a vida de 30 civis este sábado e domingo em El Alto, vizinha de La Paz.
O ministro de Desenvolvimento Econômico, Jorge Torres, por sua vez, renunciou ao cargo em protesto contra a condução da crise que atinge o país por parte de Lozada, em uma carta que dirigiu ao presidente ontem. ''Não creio em soluções de força e menos ainda quando no outro lado se encontra a maioria da população. Dadas estas condições e do ponto de vista e em consequência com meus princípios, apresento minha renúncia'', afirma Torres, membro proeminente do social-democrata Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR), principal aliado de Sánchez de Lozada.
A repressão por parte da forças de ordem deixou 41 mortos e pelo menos uma centena de feridos em três semanas de protestos na Bolívia, segundo contagem extra-oficial baseada em diversas fontes. Somente no domingo, morreram 26 pessoas e 90 ficaram feridas em El Alto, vizinha de La Paz. Ontem, mais dois civis foram baleados em El Alto.
Também ontem, o governo da Bolívia anunciou que está aberto ao diálogo com a liderança sindical de El Alto, para tentar pôr fim aos conflitos na região. Entretanto, os sindicatos não deram a menor importância à declaração.
Na madrugada, o presidente boliviano, Gonzalo Sánchez de Lozada, anunciou a aprovação de um decreto que estabelece que o governo não poderá mais exportar gás a novos mercados enquanto não se realizar uma consulta popular sobre o assunto, que deverá ocorrer até o dia 31.
O Executivo pretendia instalar o diálogo às 15 horas (17 horas de Brasília) e convocou os dirigentes da cidade de El Alto ao Palácio do Governo. ''Não exportaremos gás natural a novos mercados enquanto não realizarmos consultas e debates sobre este recurso, posto que devemos implementar, de forma imediata, um processo de diálogo entre os bolivianos e com as organizações da sociedade civil, consultas e debates deverão ser concluídos até o dia 31 de dezembro de 2003'', afirma o decreto aprovado na noite de anteontem, após um trágico acontecimento vivido em El Alto.
Os trabalhadores exigem a renúncia de Lozada, acusado de ter ligações muito fortes com os EUA na luta contra o narcotráfico e de querer exportar petróleo e gás natural para o governo norte-americano por meio de um porto chileno país que mantém uma relação problemática com a Bolívia.
Os manifestantes querem ainda a suspensão dos planos da Bolívia de aumentar as exportações de gás natural, provavelmente para o México e para os EUA. Eles são contrários às exportações porque alegam que o produto deveria ser usado para abastecer, gratuitamente, 250 mil residências que não têm acesso a gás.
Eles também defendem que o gás seja processado na Bolívia para que o país busque vender um produto com maior valor agregado. Além disso, parte da oposição reclama que o produto teria de ser exportado via costa norte do Chile região disputada pelos dois países. O território era a única saída para o mar que a Bolívia possuía e foi perdido para Santiago na Guerra do Pacífico, em 1879.


