Aumenta tensão nos territórios palestinos
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quinta-feira, 12 de outubro de 2000
Associated Press De Jerusalém 
A escalada de violência no Oriente Médio teve ontem seu dia mais tenso com o linchamento, por parte de ativistas palestinos, de três soldados israelenses em Ramallah, na Cisjordânia, e a retaliação de Israel, cujos helicópteros bombardearam cidades administradas pela Autoridade Palestina (AP).
O que estamos testemunhando é o lançamento de uma guerra total de Israel contra o povo palestino, disse o representante da AP nas negociações de paz com os israelenses, Saeb Erekat, enquanto helicópteros artilhados de Israel atacavam Ramallah e Gaza. Pedimos à comunidade internacional uma intervenção imediata.
O governo israelense qualificou o ataque com helicóptero de uma operação limitada em resposta ao assassinato dos soldados em Ramallah.
Esta ação é uma advertência aos líderes da AP de que o Exército de Israel não se limitará a assistir passivamente quando atos de violência forem cometidos, dizia uma nota oficial do comando das Forças Armadas israelenses.
Nesta manhã, reservistas de Israel foram assassinados a sangue frio depois de se perderem no caminho do quartel. Eles foram presos pela polícia palestina, que os levou ao centro de Ramallah, onde acabaram mortos, prosseguia a nota.
A polícia palestina diz que os soldados foram detidos para que esclarecessem o que faziam em território da AP. Testemunhas independentes afirmaram que uma turba de centenas de ativistas arrancaram os israelenses da custódia dos policiais quando chegavam à delegacia. De acordo com alguns relatos, pelo menos um dos soldados foi morto na rua. Um outro aparentemente foi levado pela multidão ao interior da delegacia antes de ser assassinado e ter seu cadáver lançado por uma janela do segundo andar do edifício.
O primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, emitiu uma nota oficial qualificando o incidente de muito grave e advertindo que Israel saberia como responder ao ocorrido. E a resposta, na forma de foguetes disparados de helicópteros, veio poucas horas depois.
Entre os alvos do bombardeio israelense estavam instalações da polícia palestina, um dos complexos residenciais utilizados pelo presidente da AP, Yasser Arafat, em Gaza, e sedes de emissoras de rádio e tevê árabes.
Chamas e fumaça tomavam conta dos edifícios atingidos. As transmissões da rádio Voz da Palestina foram suspensas e fontes médicas informaram que os bombardeios deixaram pelo menos 13 palestinos feridos. Segundo testemunhas, foram disparados pelo menos 12 foguetes. Arafat não estava no edifício atacado pelos helicópteros.
É preciso que a comunidade internacional aja imediatamente se não quiser assistir à instalação de uma Kosovo no Oriente Médio, declarou Erekat, comparando a ação israelense com a dos milicianos sérvios na província iugoslava de maioria albanesa.
Esses ataques aéreos são o prenúncio de uma guerra total e demente empreendida contra nós por Israel. O próximo passo deve ser o deslocamento de tanques para as cidades palestinas e, depois, virão os massacres.
As emissoras palestinas foram escolhidas como alvos dos bombardeios porque Israel considera que elas estavam incitando os ativistas à violência nos últimos 15 dias. Pelo menos 102 pessoas a maioria árabes morreram nos protestos que se seguiram a uma visita do direitista israelense Ariel Sharon a Jerusalém Oriental, num ato considerado uma provocação aos árabes.
Barak foi à tevê israelense para acusar Arafat pelos atos de violência e anunciar a formação, nos próximos dias, de um governo de unidade nacional para fazer frente à crise com os palestinos. Infelizmente, Yasser Arafat não tem demonstrado ser um parceiro para a paz, disse, depois de justificar os bombardeios de Gaza e Ramallah.


