Islamabad - A tensão entre a Índia e o Paquistão aumentou na medida em que as tropas indianas realizam novos movimentos na fronteira entre os dois países. Dispositivos militares indianos bombardearam ontem vários pontos da Caxemira controlados pelo Paquistão, aumentavando a tensão entre os dois países. Segundo informou a polícia paquistanesa, houve disparos intermitentes em todos os setores do distrito de Kotli, mas não houve vítimas.
Os responsáveis locais desmentiram a existência de um plano de deslocar civis ao longo da linha divisória entre o Paquistão e a Índia, na região do Himalaia. Segundo um responsável da administração do distrito, Chaudhry Liaqat Hussain, várias pessoas fugiram de suas casas durante os bombardeios de uma semana atrás, nos quais morreu um civil e 12 outros ficaram feridos, mas depois voltaram para suas casas.
As tensões entre a Índia e o Paquistão aumentaram desde que Nova Délhi exigiu a Islamabad que combatesse os militantes muçulmanos, aos que a Índia acusa de serem os responsáveis do atentado suicida, há três semanas, contra o Parlamento, no qual morreram 14 pessoas.
O ministro paquistanês das Relações Exteriores Abdul Sattar informou à agência France Presse que nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu à Índia e ao Paquistão para darem sinais de moderação, enquanto que os dois países vizinhos, ambos com pontenciais nucleares, concentram forças e armas na fronteira.
''Nossa angústia aumenta não apenas a cada dia, mas de hora em hora já que recebemos informações sobre movimentos de tropas indianas na fronteira'', disse o ministro. Sattar acrescentou que o Paquistão adotou medidas para combater grupos de militantes a quem a Índia acusa de serem responsáveis pelo ataque contra seu Parlamento.
O Paquistão congelou verbas de cinco organizações extremistas e espera agora provas da Índia antes de abrir um processo contra os eventuais responsáveis. ''Registramos as acusações que vêm do outro lado da fronteira. Queremos provas concretas para poder iniciar uma ação judicial. Estamos preparados para fazê-lo, mas não sem provas'', disse.
Sattar disse que participará da cúpula de Kathmandu, que começa na próxima sexta-feira, e que espera ter a oportunidade de falar com os responsáveis indianos.
Ontem, autoridades paquistanesas prenderam Hafiz Mohammed Saeed, dirigente da Lashkar-e-Toiba (LET), organização extremista suspeita de ter cometido o atentado contra o parlamento indiano. A Índia culpou a Lashkar e outro grupo extremista paquistanês, Jaish-e-Mohammad, pelo atentado.

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