Caracas O presidente Hugo Chávez deve renunciar ou convocar eleições gerais no primeiro trimestre de 2003, afirmou ontem Manuel Cova, um dos delegados da oposição na mesa de negociação que busca soluções para a grave crise da Venezuela. No entanto, a oposição está disposta a manter a negociação até ''que resolvamos a crise por essa via'', disse Cova, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela (CTV).
A CTV, a associação empresarial Fedecámaras e os partidos políticos de oposição lideram a greve geral que entrou ontem em seu oitavo dia. Os trabalhos de negociação recomeçaram no sábado.
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, é o mediador da mesa, instalada em 8 de novembro visando buscar uma solução eleitoral para a crise, que começou com o golpe de Estado de 12 de abril, que manteve o presidente Chávez afastado do poder por 47 horas.
''Ou o presidente renuncia, como um gesto que represente um pouco de respeito à vontade do povo venezuelano, ou que leve à mesa a alternativa de um processo eleitoral, no mais tardar, para o primeiro trimestre do ano que vem'', disse Cova.
O líder da CTV disse que a crise é culpa de Chávez, que não conseguiu controlar a violência, que na última sexta-feira matou três pessoas e feriu 29 em um tiroteiro durante uma manifestação da oposição em Caracas.
Se Chávez não ceder às exigências de seus opositores, ''poderá agravar ainda mais esta crise. Além disso, estaria incentivando o povo a continuar nas ruas'', afirmou Cova.
Indústria quase parada A vital indústria petroleira da Venezuela está quase paralisada pela ausência dos trabalhadores que apóiam a greve geral para exigir um referendo sobre a permanência ou não no poder do presidente Hugo Chávez, disse Diego de Espinoza, dirigente do Fedepetrol o sindicato mais importante do setor.
''Pelo menos 90% dos trabalhadores estão parados'', informou.
Na estatal de petróleo PDVSA trabalham 60.000 pessoas, 45.000 contratadas pelo Estado e 15.000 por empresas terceirizadas.
Para o presidente Chávez, que chamou as forças armadas para impedir o colapso do setor, ''o plano oligárquico fascista e golpista (...) está causando muitos problemas'', e demoras nas exportações.

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