Aumenta para 182 número de mortos em incêndio
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segunda-feira, 03 de janeiro de 2005
France Presse 
Buenos Aires - Em meio ao luto e a pedidos de renúncia do prefeito da capital argentina, o número de mortos no incêndio da discoteca República Cromagnon aumentou para 182, além dos 889 feridos. O diretor do Serviço de Emergências (Same), Julio Salinas, confirmou as baixas, explicando que 263 pessoas permanecem internadas, 117 delas em unidades de tratamento intensivo.
A tragédia, que aconteceu na noite do dia 29 de dezembro, nesta boate do famoso bairro de Once, foi causada pelo lançamento de fogos de artifício contra o teto de lona do estabelecimento durante um show do grupo de rock Callejeros, com público estimado de 2 mil pessoas, quando a capacidade máxima da discoteca era de 1.037 espectadores.
A revolta de familiares e da população se transformou ontem em pedidos de renúncia do prefeito da cidade, o político de centro-esquerda Aníbal Ibarra. Mas até o início da noite de domingo, o único que havia renunciado era o secretário de Justiça e Segurança Urbana, Juan Carlos López, que comandava o sistema de habilitação e controle das discotecas e locais comerciais de Buenos Aires.
López admitiu ontem que o local possui ''uma saída de emergência que era um portão para caminhões. Se esta saída estivesse aberta, teria havido apenas alguns feridos e não esta tragédia imbecil''. Ele admitiu que ''o esquema de controle da cidade tem uma longa data de problemas, ineficiência e corrupção em toda a área de verificações''.
O principal dono do local, o empresário Omar Chabán, foi detido na última sexta-feira acusado de ter ordenado que as portas de emergência ficassem trancadas para evitar a entrada de penetras. Agora a polícia argentina procura os outros três sócios de Chabán, que estão foragidos.
''Ibarra e Chabán têm que pagar por isso'', dizia a multidão que se juntou de forma espontânea no sábado à tarde à frente da prefeitura pouco depois de o prefeito falar em ''responsabilidades compartilhadas'' numa entrevista à imprensa, na qual anunciou o fechamento por 15 dias de todas as discotecas da cidade.
O promotor do caso, Juan Sansone, admitiu que a responsabilidade do governo constitui ''uma linha de investigação''.
No necrotério, familiares das vítimas aguardavam a entrega dos corpos depois da realização das autópsias.
O governo da cidade ofereceu o pagamento das despesas funerárias e serviços psicológicos aos familiares das vítimas.


