Aumenta oposição a ataque ao Iraque
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quinta-feira, 26 de setembro de 2002
France Presse 
WashingtonDois dos mais influentes jornais norte-americanos, o Washington Post e o New York Times, lançaram ontem uma séria advertência ao presidente George W. Bush, reprovando a politização do tema do Iraque e as dúvidas que o presidente levantou sobre o patriotismo dos democratas. ''A manipulação cínica e irresponsável do presidente sobre a questão (iraquiana) ameaça afetar sua credibilidade'', alega o editorial do Washington Post.
O New York Times se mostra igualmente agressivo, e afirma no editorial que ''ofender o patriotismo de qualquer pessoa é um problema, é injusto e, em última instância, anti-americano''.
O debate sobre uma eventual intervenção militar norte-americana no Iraque ficou mais acirrado esta semana, quando Bush acusou o Senado (com maioria democrata de um voto) de estar ''mais preocupado com os interesses particulares do que com a segurança do povo norte-americano''.
Apesar de criticar duramente o presidente, o Washington Post não absolve os democratas por completo: acusa-os de querer aprovar rapidamente uma resolução que conceda a Bush amplos poderes para decidir o que fazer contra o Iraque simplesmente para voltar a trazer a questão econômica e os escândalos dos balanços maquiados de grandes empresas americanas de volta ao centro da batalha eleitoral.
O New York Times também deplora a politização do debate, e exige uma profunda discussão para ''explicar ao povo norte-americano os potenciais efeitos de uma guerra''.
Conselho da EuropaA assembléia parlamentar do Conselho da Europa lançou ontem, em Estrasburgo (leste da França), uma advertência aos Estados Unidos quanto a qualquer ataque unilateral contra o Iraque, ao considerar que poderá fazer perigar ''seriamente'' a paz. ''A assembléia rejeita que os Estados Unidos assinalem sua vontade de avançar em relação a um conflito armado sem mandato do Conselho de Segurança da ONU'', declarou a assembléia em uma resolução adotada depois de um debate urgente sobre ''a ameaça de uma ação militar no Iraque''.
''Uma atitude como esta não é nem conforme aos princípios de direito internacional, nem aos objetivos do Conselho da Europa, os quais se supõe que os Estados Unidos respeitam em sua qualidade de observador'', acrescenta o texto.
Da mesma forma, os parlamentares exigiram uma total cooperação por parte de Bagdá com os inspetores e especialistas do desarmamento da ONU.
Carter tambémO ex-presidente dos EUA Jimmy Carter disse que os Estados Unidos cometerão um erro se atacarem o Iraque sem o respaldo da comunidade internacional.
''Seria um erro para este país e para a paz na região do Oriente Médio'', declarou em um discurso no Centro Carter de estudos políticos em Atlanta (Geórgia).


