A imediata suspensão dos bombardeios anglo-americanos de alvos militares e de segurança no Iraque e a busca de uma saída política para a crise foi exigida ontem pela grande maioria dos países membros da ONU e de organizações regionais, como a Liga Árabe.No Cairo, Ahmed Ben Helli, secretário-geral da Liga Árabe, exigiu uma rápida intervenção do Conselho de Segurança da ONU ‘‘para pôr fim ao ataque e preservar a integridade territorial e a soberania do Iraque’’. O chanceler egípcio, Amr Moussa, também dirigiu apelo ao Conselho de Segurança para ‘‘interromper a nova escalada militar no Golfo Pérsico’’. Os políticos e a imprensa árabe denunciam o que classificam de ‘‘terrorismo americano’’, argumentando que a Operação Raposa do Deserto causa mais danos ‘‘ao sofrido povo iraquiano’’ do que ao regime de Saddam Hussein.
Em Pequim, o governo chinês distribuiu nota denunciando a ‘‘política de poder’’ dos EUA, que cria um perigoso precedente. ‘‘Um mundo dirigido por grandes potências que atuam foram dos limites das relações internacionais estaria ameaçado pela lei do mais forte’’, advertiu Zhu Bangzao, porta-voz da chancelaria chinesa.
Em Paris, as autoridades francesas não escondiam uma grande irritação pela maneira como a ação militar ocorreu, sem um verdadeiro debate do relatório de Richard Butler, chefe dos inspetores de armas, no Conselho de Segurança. ‘‘Era plenamente possível e preferível uma saída política’’, lamentou o chanceler Hubert Vedrine, que classifica o relatório de vago. Ele revelou que seu governo deve pôr em marcha na próxima semana uma iniciativa para resolver a questão (um novo sistema de controle do desarmamento iraquiano).
Em Roma, o presidente italiano, Oscar Luigi Scalfaro, condenou o ataque e exigiu o que chamou de ‘‘silêncio das armas’’.
Em Bonn, o chanceler Gerhard Schroeder reafirmou a ‘‘solidariedade alem㒒 aos aliados, mas o ministro das Relações Exteriores, Joschke Fischer, pediu o fim da operação militar.
Em Lisboa, o primeiro-ministro português, Antonio Guterres, disse que Portugal ‘‘não apóia nem condena a intervenção’’, mas confirmou autorização para aviões militares americanos e ingleses em missão no Iraque usarem a base da Lajes (Açores).
Proposta russa O ministro russo das relações exteriores, Igor Ivanov, propôs ontem um ‘‘plano concreto’’ de solução da crise iraquiana, durante una entrevista telefônica com seu homólogo britânico Robin Cook, segundo um comunicado do ministério russo. Ivanov propôs principalmente ‘‘definir conjuntamente os avanços políticos que permitam remediar as consequências de um recurso à força’’.
Reafirmou também ‘‘o caráter inadmissível da continuação dos ataques americano-britânicos no Iraque, uma violação grave dos estatutos da ONU’’. Em crises anteriores entre Iraque e Estados Unidos, a Rússia tomou com regularidade iniciativas diplomáticas para evitar o recurso à força.

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