Bagdá - As tropas anglo-americanas vivem um crescente clima de insegurança no Iraque, onde ontem foi registrado mais um ataque contra soldados americanos, ao passo que, em Basra, o quartel-general das forças britânicas se viu bloqueado por centenas de ex-soldados iraquianos furiosos por não terem recebido o prometido soldo.
Paralelo a isso, o administrador civil americano no Iraque, Paul Bremer, afirmou ontem que possibilidades de prender o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein são grandes. ''Nós vamos pegá-lo'', garantiu Bremer ao canal britânico BBC. ''É importante que o façamos, que o capturemos ou matemos'', acrescentou.
''Não há nenhuma dúvida de que o fato de que não tenhamos sido capazes de mostrar seu rosto permite que resquícios do regime andem pelos bazares, pelas cidades dizendo 'Saddam vai voltar', ou seja, 'não colaborem com a coalizão''', admitiu o administrador.
Enquanto isso, em Basra, no sul do país, centenas de ex-soldados iraquianos impediram as tropas britânicas de deixarem o quartel-general, furiosos por não terem recebido seu soldo, conforme prometido pela autoridade ocupante.
Os militares iraquianos instalaram bloqueios ante à entrada principal do antigo palácio presidencial de Al Barazniya, sede central do exército britânicos em Basra, e jogaram pedras contra as duas ambulâncias que tentavam sair, obrigando-as a dar meia-volta.
''Os britânicos prometeram pagar nossos soldos no sábado. Quando chegamos, nos mandaram voltar no domingo. E hoje (ontem) disseram para voltarmos amanhã. São uns mentirosos'', afirmou o suboficial Kazem Ayal.
A coalizão anglo-americana havia anunciado, em 23 de junho, sua decisão de pagar, a partir de 14 de julho, em Bagdá, o salário dos militares desmobilizados, que ameaçaram cometer atentados suicidas se suas exigências não fossem atendidas.
No entanto, em cada região os comandantes das forças de ocupação têm autonomia para pagar os soldos quando assim o decidirem.
Em Fallujah (50 km a oeste de Bagdá), soldados americanos foram alvo durante a madrugada de um ataque com lança-foguetes. O ataque aconteceu por volta da meia-noite contra soldados posicionados no principal mercado de Fallujah.
Os militares americanos abriram fogo contra os atacantes, que conseguiram fugir. Indagado pela AFP, um porta-voz do exército não pôde confirmar o ataque. Aparentemente, não houve baixas.
Por outro lado, o exército americano anunciou ter encontrado os objetos pessoais e o veículo blindado dos dois soldados desaparecidos na semana passada e encontrados mortos no sábado. Os serviços de inteligência temiam que o veículo fosse usado em um ataque contra suas forças.
No total, 12 iraquianos foram detidos durante a busca dos soldados, segundo um comunicado que precisa que as circunstâncias do fato ainda estão sendo investigadas.
Desde o começo da guerra no Iraque, em 20 de março passado, 201 membros do pessoal militar americano morreram: 137 por disparos inimigos e 64 em acidentes e outras circunstâncias não relacionadas a combates.

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