Aumenta a violência no Oriente Médio
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quarta-feira, 01 de novembro de 2000
France Presse De Belém 
A violência nos territórios palestinos aumentou ontem, com seis palestinos mortos e seis soldados israelenses feridos, dois gravemente, na Faixa de Gaza e Cisjordânia. Segundo a televisão de Abu Dhabi, dois soldados israelenses morreram nesses enfrentamentos.
Nesse contexto tenso, começou uma reunião à noite em Gaza entre o ministro israelense de Cooperação Regional, Shimon Peres, e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat.
Antes, a rádio estatal israelense indicou que, segundo responsáveis políticos, esse encontro poderia ser cancelado em virtude da situação.
Responsáveis israelenses informaram ontem que o ministro israelense dos transportes e ex-chefe do estado-maior, Amnon Lipkin-Shahak, se reuniram terça-feira à noite na Faixa de Gaza com Arafat. Também o premier Ehud Barak, convocou para as 21 horas locais (17h de Brasília), seu gabinete de segurança.
Os distúrbios mais violentos aconteceram no povoado palestino de Al Khader, perto de Belém (Cisjordânia), e a passagem de Karni, entre a Faixa de Gaza e Israel.Cerca de 90 palestinos ficaram feridos em diversos enfrentamentos com o exército.
O balanço chegava ontem a pelo menos 166 mortos, em sua imensa maioria palestinos, e mais de 4 mil feridos, desde o começo da violência nos territórios palestinos e Israel, no dia 28 de setembro passado.
O conselheiro de Barak para Assuntos de Segurança, Danny Yatom, declarou à rádio militar que cada tiro dos palestinos mostra cada vez mais que ele não querem acalmar a situação no terreno.
Enquanto isso a Fatah, movimento de Arafat dentro da OLP, convocou para hoje uma greve-geral de 24 horas, e uma escalada contra a presença israelense na Faixa de Gaza.
Em Karni, norte da Faixa de Gaza, três palestinos morreram atingidos por disparos do exército israelense, segundo uma fonte médica. Outros 30 palestinos ficaram feridos, 13 dos quais em estado grave, segundo a mesma fonte.
Em Al Khader, um policial palestino morreu nos confrontos com o exército depois que, segundo o próprio exército, houve disparos contra a colônia judaica de Givat Dagan.
Violentos tiroteios aconteceram depois, durante as quais outro palestino morreu e seis soldados israelenses ficaram feridos, dois deles gravemente, que poderiam ser os mortos a que se referiu a televisão de Abu Dhabi. Nesses enfrentamentos também ficaram feridos 17 palestinos.
Perto da localidade palestina de Beit Sahur, aconteceram tiroteios e o exército disparou pelo menos um obus.
No Cairo, a Liga árabe aconselhou ativar rapidamente a aplicação de resoluções da cúpula árabe extraordinária, de 21 e 22 de outubro, que ameaçou congelar as relações árabes com Israel, e decidiu criar um fundo de ajuda de US$ 1 bilhão para os palestinos, por causa da escalada da violência.
No final dessa reunião, o representante permanente da Palestina ante a Liga Árabe, Mohamed Sobeih, acusou as unidades especiais do exército israelense de treinar para sequestrar e matar líderes palestinos.
Em Londres, a Anistia Internacional informou que as violações dos direitos humanos, pelas forças israelenses contra os palestinos, são tais que poderiam ser consideradas crimes de guerra, exigindo uma investigação interna e outra internacional em relação a onda de violência.


