Três pessoas ficaram feridas ontem no Paquistão em manifestações violentas relacionados aos ataques dos Estados Unidos contra o Afeganistão e a chegada do secretário de Estado americano, Colin Powell, a Islamabad, enquanto o apelo à greve geral lançado pelos partidos islâmicos era acompanhado de maneira desigual. Quinze partidos islâmicos radicais paquistaneses convocaram uma greve geral contra a chegada de Powell ao Paquistão. A greve paralisou completamente Karachi, a maior cidade de Paquistão, no sul do país, cidade portuária de mais de 10 milhões de habitantes. Em Quetta, cidade de 700.000 habitantes a oeste do país, perto da fronteira afegã, houve grande adesão. Houve menor número de participantes nas cidades de Lajore, Peshawar, Rawalpindi e Islamabad. Só ocorreram incidentes nas cidades de Karachi e Hyderabad, sul do país.
Na noite de domingo, dois policiais que vigiavam a mesquita de Karachi foram assassinados por desconhecidos em motocicletas. ''É um ataque terrorista'', considerou um porta-voz da polícia, Ali Raza. Foi o terceiro ataque contra as forças da ordem em uma semana em Karachi. Ontem, foram registrados enfrentamentos esporádicos em numerosos bairros da cidade entre a polícia e militantes que bloquearam ruas e atiraram pedras contra os veículos. Segundo fontes médicas, três pessoas ficaram feridas, dois a tiros e outra por gás lacrimogêneo.
Mais de 15.000 pessoas participaram da manifestação antiamericana no oeste de Karachi. Denunciaram a campanha de bombardeios realizada pelos Estados Unidos no Afeganistão e queimaram bandeiras americanas e retratos do presidente americano, George W. Bush. Na cidade de Hyderabad, a 160 km mais a nordeste, radicais islâmicos queimaram um caminhão do governo e atiraram para o ar para obrigar comerciantes e caminhoneiros a parar suas atividades.
A situação em Jacobabad (sul) era ainda muito tensa ontem, depois das violentas manifestações da véspera, que deixaram um morto e 24 feridos. Em Quetta (sudoeste), 15.000 pessoas participaram de manifestação contra a presença de Colin Powell. ''Morte aos Estados Unidos'', gritava a multidão em uníssono, enquanto agitava bandeiras talebans.
Manifestações de oposição aos bombardeios americanos ocorreram também na Nigéria, onde em Kano (norte) foram registradas várias vítimas nos dois últimos dias de confrontos.

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