Aumenta a tensão entre EUA e Paquistão
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terça-feira, 10 de maio de 2011
France Presse 
Washington - A tensão aumentou ainda mais ontem entre Paquistão e Estados Unidos, com a última escaramuça envolvendo o interrogatório das esposas de Bin Laden, após a polêmica sobre uma eventual cumplicidade paquistanesa com o líder da Al-Qaeda e a ação ''unilateral'' americana em território paquistanês.
Em sinal de boa vontade, a Casa Branca pediu no domingo permissão para interrogar três esposas de Osama bin Laden, em poder dos paquistaneses desde o ataque das forças especiais americanas que terminou com a morte do líder da Al-Qaeda. Na segunda-feira à noite, uma autoridade americana indicou sob anonimato que os Estados Unidos ''esperam ter em breve uma autorização de acesso'' às três mulheres, das quais uma ficou ferida no ataque. O Ministério paquistanês das Relações Exteriores assegurou ''não ter recebido uma solicitação formal dos Estados Unidos'' neste sentido.
Um novo foco de tensão parecia surgir para prejudicar mais ainda as já conturbadas relações entre os dois países, aliados oficiais na luta contra o terrorismo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. No domingo, o presidente americano Barack Obama pediu a Islamabad que realize uma investigação sobre os ''suportes'' que teriam beneficiado o líder da Al-Qaeda dentro do Paquistão.
Segundo o New York Times de ontem, o presidente americano havia ordenado inclusive que o comando encarregado da operação contra Bin Laden fosse grande o bastante para poder enfrentar militarmente as forças paquistanesas, em caso de resposta dos militares locais.
Na segunda-feira, o primeiro-ministro paquistanês Yusuf Raza Gilani classificou ''de absurdas'' as especulações sobre uma eventual cumplicidade oficial, mas também anunciou uma investigação para esclarecer ''como, quando e por que Osama bin Laden estava presente em Abbottabad'', cidade localizada a duas horas de estrada da capital onde o homem mais procurado do planeta viveu, aparentemente, durante vários anos.
Al-Qaeda
A Al-Qaeda pediu novamente que os muçulmanos vinguem a morte de Osama Bin Laden ao afirmar que os americanos pagarão ''o preço'' da decisão do presidente Barack Obama de matá-lo, em um comunicado citado nesta terça-feira pelo centro americano de vigilância dos sites islamitas.
Em um texto publicado pelo Al-Fajr Media Center, principal site de propaganda da Al-Qaeda, a rede afirma que a eliminação de seu líder em 2 de maio no Paquistão pelas forças especiais americanas foi ''um grave erro'' e ''um grande pecado'', e que Obama levou seu povo a um grande ''desastre''.
''Agora Obama espalhou o sangue de nosso mártir. Somos uma Uma (nação islâmica) que não se fica silenciosa frente à injustiça, que não nos culpem no futuro. Vocês escolheram isso e pagarão o preço. Obama está protegido por exércitos, mas quem o protegerá de nosso ataque?'', adverte a rede.


