A Europa deu ontem seu respaldo ao novo governo democrático de Vojislav Kostunica ao admitir a Iugoslávia entre os 55 membros da Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE). Logo depois de participar da reunião simbólica em Viena, o presidente iugoslavo partiu para o sul da Sérvia, onde vem aumentando nos últimos dias a violência entre sérvios e albaneses étnicos.
O retorno da Iugoslávia à OSCE, da qual havia sido excluída em 1992, quando começou a guerra da Bósnia-Herzegovina, coincide com uma nova escalada de tensão étnica ao longo da fronteira administrativa entre Kosovo e o restante do território sérvio, uma área que foi desmilitarizada com base no acordo de 1999 entre Belgrado e a Otan.
Na zona desmilitarizada, que é povoada por uma maioria albanesa, atua a milícia independentista denominada Exército de Libertação de Presevo, Bujanovac e Medvedja, que luta para tornar-se independente da Sérvia e ser anexado ao Kosovo ‘‘libertado’’.
Autoridades sérvias acusam o ex-Exército de Libertação de Kosovo (ELK) de ajudar, de dentro do território kosovar, nos ataques dos extremistas albaneses. Ontem, um menino albanês de cinco anos morreu e cinco de seus familiares ficaram feridos ao passarem com um trator sobre uma mina plantada próxima à aldeia de Trnovac.
Durante a reunião da OSCE, em Viena, Kostunica afirmou que havia informado à ONU e à Otan sobre a escalada de violência no sul da Sérvia, e que esperava ‘‘respostas concretas’’ por parte das organizações.
A Otan declarou-se de acordo com Belgrado sobre a necessidade de se aplicar ‘‘corretamente’’ o acordo técnico e militar relativo à zona desmilitarizada. A Otan informou também que já promoveu contatos entre os militantes de etnia albanesa e a polícia sérvia.
A província de Kosovo é, de fato, um protetorado internacional desde a retirada das forças iugoslavas em junho de 1999, depois da campanha de bombardeios da Otan para pôr um fim à repressão de Belgrado contra a maioria étnica albanesa.

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