Aumenta a revolta social no Equador
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segunda-feira, 15 de março de 1999
Fabio Castro France Presse 
A revolta social cresce no Equador com os cidadãos furiosos por causa do congelamento das contas bancárias, determinado pelo governo, e pela alta de 174 por cento no preço dos combustíveis, o que causou uma greve de taxistas que paralisou a maior parte do país, ontem. A correria aos bancos, que ficaram uma semana fechados, causou grande confusão nas cidades maiores que vivem uma escalada de revolta social. Milhares de correntistas, apavorados com boatos de quebradeira geral, começaram a formar filas, ainda de madrugada, na porta das agências bancárias. Todos retiravam o que conseguiam em agências cercadas por soldados e num clima tenso.
Nas duas maiores cidades do país, Quito e Guayaquil, esta segunda a 275 quilômetros ao sudeste da capital, o pânico foi maior na porta da agência central do Banco del Progreso, que segundo os comentários poderá quebrar depois deste pacote.
A polícia colocou todo o seu contingente nas ruas, mas a situação se agravou com a greve geral de 100 mil taxistas que bloquearam as ruas principais em protesto pela alta de 174 por cento no preço dos combustíveis. As cidades que mais sofreram foram Quito, Cuenca, Portoviejo, e Machala. Os taxistas paravam também os donos de vans e ônibus e exigiam a solidariedade deles.
O ministro da Defesa Jose Gallardo disse que a polícia e o exército intervieram à tarde para fazer com que o tráfego fluísse. Nós só voltaremos a trabalhar se o preço da gasolina baixar, se não nós vamos passar é fome, disse um assessor do sindicato dos taxistas de Quito, Romulo Teanga.
A revolta no país é grande com as medidas de austeridade pregadas pelo governo que enfrenta uma das piores crises econômicas dos últimos 25 anos. Além da alta dos combustíveis, o presidente Jamil Mahuad, que governa por decreto depois de ter declarado estado de emergência no Equador, propôs um aumento entre dez e 15 por cento no imposto de circulação de mercadorias e a privatização de mais empresas.
No pacote de decretos, o congelamento parcial das contas bancárias de todo o país foi indispensável para prevenir dificuldades maiores do setor bancário, disse Mahuad. O decreto congela por entre seis meses e um ano todo o dinheiro depositado nos bancos do Equador. Mahuad disse que as medidas podem aliviar a pressão sobre o sucre, a moeda do país que já se desvalorizou em 83 por cento em relação ao dólar, desde que começou a flutuar livremente contra o dólar no dia 12 de fevereiro. Mas a oposição política ao gerenciamento da economia de Mahuad também cresce. O Congresso pretende analisar o estado de emergência e ameaça contestar e derrubar a maior parte das medidas adotadas pelo Executivo.


