Aumenta a discussão sobre a propriedade do genoma humano
Aumenta a discussão sobre a propriedade do genoma humano Arquivo FolhaFrance PresseTony Blair e Bill Clinton assinaram ontem documento sobre a disponibilidade de dados do genoma France Presse De Washington O apelo feito ontem aos cientistas de todo o mundo pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e o presidente americano, Bill Clinton, para que tudo o referente à decodificação do genoma humano seja administrado pelo setor público voltou a levantar perguntas sobre a propriedade de nosso patrimônio genético. Os dados fundamentais sobre o genoma humano, incluindo a decodificação de todo o genoma do DNA humano e suas variações, teriam que ser livremente acessíveis para os cientistas de todo o mundo, disseram Blair e Clinton em comunicado conjunto publicado em Londres. Esta intervenção acontece um dia depois do fracasso das negociações nos Estados Unidos entre o Projeto Público do Genoma Humano (HGP), dirigido pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), e uma empresa privada, a Celera Genomics. O objetivo é unir forças para decifrar os três bilhões de pares de aminoácidos que constituem os encaixes entre os 100 mil genes da cadeia do DNA. A organização britânica Wellcome Trust, uma das patrocinadoras do Projeto de Genoma Humano, lamentou que Celera Genomics insistisse em conservar os direitos exclusivos de suas descobertas durante pelo menos cinco anos. No final do dia a Celera Genomics, disse que está disposta a publicar seus dados logo que tenha completado o trabalho, em resposta ao pedido de Tony Blair e Bill Clinton. Atrás da conquista do genoma humano existe um interesse científico e econômico colossal. O mundo médico opina cada vez com mais frequência que a medicina futura se baseará na genética: depois de se saber que gene produz tal e qual proteína, será possível aplicar terapias genéticas para certas doenças. No setor privado, a empresa americana Celera Genomics lidera a corrida. Segundo seu presidente, Craig Venter, já decifraram 97% do genoma humano e o trabalho será completado no verão (boreal). Além da Celera Genomics, dezenas de empresas de biotecnologis já patentearam genes capazes de produzir moléculas que servem para a fabricação de medicamentos. Clinton e Blair reconheceram a necessidade de patentear os inventos procedentes de pesquisas genéticas. A proteção intelectual das invenções a partir dos genes terá um papel importante no desenvolvimento de novos produtos para a saúde, admitiram. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha se comprometeram a pôr à disposição do público e dos cientistas os dados genéticos brutos, ainda que protegendo os direitos de propriedade intelectual para as descobertas derivadas das pesquisas neste campo.





