Santiago - O ex-ditador chileno Augusto Pinochet morreu ontem, às 14h15 (hora local), aos 91 anos de idade, depois de sofrer uma descompensação que obrigou os médicos a levá-lo novamente para a unidade de cuidados intensivos do Hospital Militar. Pinochet foi internado de emergência na madrugada desse domingo, com infarto agudo do miocárdio e edema pulmonar.
O ex-ditador faleceu cercado pela família, depois que fracassaram as manobras de reanimação aplicadas pela equipe médica. ''Foi uma falência generalizada'', informou o médico Juan Vergara. O ex-ditador recebeu novamente a unção dos enfermos, a antiga extrema-unção dada pela Igreja aos moribundos. A morte acontece no mesmo dia em que sua esposa Lucía Hiriart faz aniversário.
Alguns chilenos comemoraram o fato soando suas buzinas, mas cerca de 20 simpatizantes do ex-ditador, que permaneciam na entrada do Hospital Militar de Santiago à espera de notícias, explodiram em choro ao serem informado do falecimento do general - algumas mulheres começaram a gritar de desespero.
Simpatizantes do ex-ditador também hostilizaram a imprensa e cantaram a Canção Nacional chilena, incluindo uma estrofe que honra os soldados e que foi tirada do hino assim que restaurada a democracia, em março de 1990.
''Estou muito triste e emocionada. Eles nos salvou de uma guerra civil'', afirmou Gloria, uma das simpatizantes presentes no local. ''Essa situação é tremendamente dolorosa. Ele é o segundo pai da pátria'', afirmou outra mulher.
''É uma verdadeira desgraça. Morreu um herói nacional e a única coisa que vocês fazem é se aproveitar dessa triste notícia'', afirmou outro simpatizante, criticando os jornalistas.
A igreja católica chilena pediu ''serenidade e cordura'' aos partidários e detratores de Pinochet. ''Não podemos viver presos ao passado. É necessário enfrentar este momento com profunda serenidade'', disse o bispo Alejandro Goic, em declarações à Rádio Cooperativa.
Pesquisa do jornal La Terceira divulgada ontem afirmou que 55% dos chilenos não desejam honrarias de Estado de ex-presidente da República a Pinochet em seu funeral. Apenas 27% dos entrevistados concordam com as honras máximas para o ex-ditador.

Revolta - O advogado chileno Hugo Gutiérrez, defensor de causas relacionadas com a violação dos direitos humanos, lamentou que o ex-ditador tenha falecido sem ser condenado pelos horrores que cometeu durante seu governo de 17 anos.
''Este criminoso se foi sem conhecer o significado de uma sentença condenatória por todos seus atos horrorosos, criminosos, cometidos durante a ditadura'', afirmou Gutiérrez.

Julgamento - O advogado francês William Bourdon, que representa três famílias de vítimas da ditadura Pinochet, disse em Paris acreditar que, ''ante a História e a memória coletiva, o general foi julgado de forma inapelável''.
''Apesar de ter escapado do julgamento que o ameaçava, ante a História e a memória coletiva, Pinochet foi julgado de forma inapelável'', assegurou Bourdon.

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