Audiência de Pinochet começa hoje
Das agências
A audiência para a extradição do ex-ditador chileno Augusto Pinochet começa hoje em Londres, mas não será nem de longe o último passo num processo legal que já dura quase um ano. Segundo o jornal The Sunday Times, Pinochet, de 83 anos, teria sofrido um derrame e estaria de cama, prostrado, há mais de duas semanas.
A sessão perante o magistrado Ronald Bartle deverá analisar se se deve enviar Pinochet para a Espanha, para enfrentar um julgamento sob a acusação de prática de torturas durante seu regime no Chile, de 1973-1990. Pinochet foi preso em Londres em 16 de outubro do ano passado.
Se os juízes que analisam o caso decidirem que o general deve ser extraditado, os advogados de Pinochet podem apelar da decisão para a Alta Corte, a maior instância jurídica do país depois da Câmara dos Lordes. Caso a apelação não tenha sucesso, os advogados chilenos podem voltar a encaminhar uma apelação para os lordes.
Esse processo pode durar até dois anos. Esgotadas as instâncias jurídicas, o caso voltará às mãos do ministro Jack Straw (Interior), que dará ou não o seu aval para que a extradição seja concluída.
Os advogados de Pinochet estão considerando também a opção de não apelar da decisão pela extradição, caso ela venha a ser tomada pelos juízes. Isso fará com que o caso vá diretamente para a avaliação de Jack Straw. A esperança dos advogados, nesse caso, seria a de convencer Straw a liberar o general por razões humanitárias.
Segundo seus médicos, o general estaria sofrendo de 14 doenças, entre elas problemas respiratórios, cardíacos, de próstata e diabetes. Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores britânico, Robin Cook, disse ao governo chileno que não há possibilidade de o general ser liberado por razões humanitárias enquanto o processo estiver em andamento.
O governo chileno tem feito esforços para evitar a extradição do general para a Espanha e levá-lo de volta para o Chile. Um pedido para que houvesse uma arbitragem internacional no caso foi negado pela Espanha. O Chile considera que nem a Espanha nem o Reino Unido podem julgar Pinochet.
O Chile estuda levar o caso para a Corte Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda. Enquanto espera a decisão, Pinochet vive numa mansão alugada em Surrey, ao norte de Londres.





