Atriz vencedora deu aula de deselegância
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de maio de 2000
Elaine Guerini Agência Estado 
A cantora islandesa Bjöork mais uma vez deu uma aula de deselegância. O vestido listrado de rosa e preto que Bjöork usava chamou a atenção logo na escadaria do teatro, quando a cantora desfilou pelo tapete vermelho usando adereços estranhos: flores artificiais no pescoço e no decote, além de uma minibolsa no formato de uma coruja. Na hora de receber o prêmio, entregue pelo ator francês Vincent Perez, ela disse apenas Estou agradecida. Muito Obrigada.
Durante a coletiva de imprensa que se seguiu à premiação, ela apareceu rapidamente para uma entrevista, quebrando um silêncio de vários meses. Eu nunca quis ser atriz, afirmou a cantora, explicando que só aceitou o papel porque o diretor fazia questão que a trilha sonora e a protagonista fossem realizadas pela mesma pessoa. Mas, ao aceitar, sabia que seria o meu primeiro e último papel. Agora preciso voltar aos discos. Só me resta uns 50 anos de vida, completou, rindo.
Questionada sobre a diferença entre interpretar uma canção e uma personagem, ela disse encarar a questão como uma batalha entre a música e a palavra. Eu adoro dar concertos, mas admito que não gostava do trabalho no set de filmagem. Eu me sentia como um peixe fora dágua.
Os meus discos faço com prazer, a interpretação foi muito dolorosa, disse Björk, que compareceu à entrevista acompanhada do diretor do filme, Lars von Trier. Contrariando as notícias de que os dois brigavam constantemente no set, a dupla estava muito bem-humorada. Mas fico feliz que minha jornada tenha chegado ao fim, concluiu Bjöork.


