Uma cadeia de atos silenciosos contra a onda terrorista da ETA uniu centenas de espanhóis ontem ao meio-dia local, essencialmente em Madri e no País Basco, últimos focos de dois violentos atentados praticados ontem em um período de sete horas.
Tanto em Zumaia (País Basco, Norte), onde a ETA assassinou o industrial nacionalista José María Korta, como em Madri, onde 11 pessoas foram feridas pela explosão de um carro-bomba colocado em um bairro residencial, as concentrações tiveram a maior magnitude.
Os atos foram curtos e o silêncio foi quebrado somente por aplausos em homenagem às vítimas do terrorismo.
Contudo, em San Sebastián (País Basco), o silêncio foi quebrado por gritos em favor da ETA proferidos por grupos de jovens que exibiam cartazes alusivos à organização separatista basca.
A polícia evitou que os incidentes verbais se transformassem em choques físicos. ‘‘Não devemos ceder à chantagem do terrorismo. A ETA não avança nada em seus objetivos praticando atentados, causando mortes e danos materiais’’, disse o prefeito de Madri, José María Alvarez.
‘‘Com violência, a ETA não avançará, não conseguirá nada. Violência só gera mais violência e mais ódio’’, acrescentou.
No município basco de Zumai, a comoção foi maior nos rostos dos participantes no ato silencioso de rejeição aos atentados da ETA e em homenagem ao industrial assassinado anteontem ao sair de sua empresa.
Além de familiares e amigos do industrial, participaram também na concentração silenciosa dirigentes do empresariado nacional e regional e dirigentes dos partidos políticos de todas as tendências, com exceção de representantes de Herri Batasuna (HB) e de Euskal Herritarrok (EH), que formam o ‘‘braço político’’ da ETA.
O chefe do Executivo, José María Aznar, lançou uma mensagem de grande firmeza à ETA. ‘‘Sua campanha é brutal, terrível e irracional, mas não nos deixaremos derrotar. Temos que dedicar todo o nosso esforço mais que nunca. Eles poderão matar muitos de nós, mas jamais matarão a liberdade do País Basco e da Espanha’’, declarou o presidente do governo.

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