Roma - O primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi admitiu ontem que estava ''preocupado com possíveis atos de violência'' durante a visita hoje e amanhã do presidente americano George W. Bush. ''Estou preocupado com a violência, a absurda violência que vimos em outras ocasiões. Estou preocupado com a convicção de muitos jovens de que, incendiando uma bandeira, quebrando uma vitrine ou pior, vão fortalecer as próprias idéias'', declarou Berlusconi à imprensa, na véspera da visita do presidente americano a Roma.
''A Itália receberá hoje o presidente dos Estados Unidos. É nosso dever recebê-lo, acima de nosso julgamento político da intervenção militar no Iraque, porque ele é o líder de uma grande nação amiga e aliada. O líder de uma nação golpeada, mais que os espanhóis, sauditas, turcos e outros, pela crueldade e a barbárie do terrorismo'', acrescentou.
Além de se reunir com Berlusconi, um de seus principais aliados na guerra no Iraque, Bush se encontrará com o Papa João Paulo II, que não ocultou suas críticas. O papa foi um crítico ferrenho da guerra liderada pelos EUA no Iraque e recentemente falou contra a tortura, referindo-se aos maus-tratos de prisioneiros iraquianos por soldados norte-americanos. Bush deve dar ao papa a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta condecoração civil americana, por seus anos de serviço.
Roma se preparou para protestos e cerca de 10 mil policiais uniformizados devem estar de prontidão para as várias manifestações planejadas. A maioria dos italianos se opõe à guerra no Iraque, mas Berlusconi está firmemente do lado de Bush. Berlusconi afirmou ontem que está preocupado com as manifestações contra o presidente dos EUA.
Amanhã, o presidente americano se reunirá com o presidente francês Jacques Chirac, um dos maiores opositores à invasão do país árabe. Chirac disse ontem que o texto da resolução era uma boa base para discussão, mas que precisava de melhorias para ''confirmar a total soberania do governo iraquiano, principalmente no quesito militar''.
As cerimônias do aniversário do Dia D a invasão da Normandia em 6 de junho de 1944, que marcou o início da derrota nazista ocorrem no domingo, com a presença de 17 chefes de Estado e governo. Eles vão comemorar o desembarque aliado nas praias francesas por conta das comemorações do 60º aniversário do Dia D.
O presidente dos Estados Unidos busca mais apoio internacional para sua missão no Iraque. O maior objetivo de Bush era tentar superar as diferenças sobre uma nova resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) apoiando o governo interino do Iraque e estabelecendo uma força multinacional liderada pelos EUA.

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