São Paulo - Mais de 100 mil pessoas foram ontem à praça Tahrir, no Cairo, para demonstrar insatisfação contra o atual presidente egípcio, Mohamed Mursi. Os protestos tiveram início na última sexta, um dia após Mursi ter promulgado uma série de decretos que lhe conferem uma série de poderes adicionais.
Um homem de 52 anos morreu após ter inalado gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante um confronto ocorrido antes do início da demonstração. É a segunda morte registrada nesta onda de revoltas.
Os protestos foram convocados por grupos de esquerda, liberais e não islâmicos que fazem oposição à Irmandade Muçulmana e a partidos islamitas que constituem a base de apoio de Mursi no Congresso.
Durante os atos, opositores chamavam Mursi de ''ditador'' e pediam a derrubada do atual regime. Outros atos semelhantes ocorreram em Alexandria, onde há relatos de ataque à sede da Irmandade Muçulmana, Suez, Minya e cidades ao longo do delta do Nilo.
Em face às manifestações populares, Mursi decidiu limitar a aplicação dos decretos na segunda-feira, após reunião com representantes do poder Judiciário.
Ele chegou a um acordo com os juízes do Conselho Supremo de Justiça, deixando imunes apenas as questões ''de soberania''. A definição feita foi vaga, mas a indicação é que o presidente recuou.
Originalmente, Mursi vetava qualquer contestação judicial de suas decisões desde que assumiu o cargo, em junho, bem como impedia que tribunais dissolvessem o atual Congresso, que redige uma nova Constituição para o país.
Mursi afirma ter o direito de assumir os superpoderes temporariamente, para garantir a transição.

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