São Paulo Em resposta ao chamado de monges budistas, mais de 100 mil pessoas saíram ontem às ruas de Yangun, em Mianmar, para protestar contra a junta militar que governa o país desde 1962, na maior demonstração de insatisfação popular em quase 20 anos. O governo não interferiu na manifestação, mas emitiu à noite um alerta contra os monges, acusando-os de serem instigados por ''inimigos do regime''.
O ministro dos Assuntos Religiosos de Mianmar, general Thura Myint Maung, afirmou que, caso os líderes dos monges não sejam capazes de pôr um fim à agitação popular, o governo agirá ''de acordo com suas regras''. Ele não especificou as possíveis ações, mas organizações dos direitos humanos afirmam que 218 pessoas já foram presas desde agosto.
O crescimento exponencial das manifestações eleva o temor de repressão por parte dos militares, especialmente devido à memória do massacre de 1988, quando estimadas 3.000 pessoas morreram durante atos em defesa da democracia.
Há pouco mais de um mês, Mianmar é palco de demonstrações na capital Yangun e nas cidades de Mandalay e Pakokku. Os protestos começaram depois que o governo aumentou o preço de combustíveis em quase 500%, mas foi inflado pelos monges depois de 5 de setembro, quando soldados reprimiram com violência uma marcha em Pakokku.

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