Ato foi considerado 'terrorismo de Estado'
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de abril de 2004
France Presse 
Na maioria das capitais do mundo, com a notável exceção de Washington, a morte do chefe do Hamas nos territórios palestinos foi condenada.
Na Argélia, as autoridades condenaram ''vigorosamente'' este ''crime odioso'', enquanto o secretário da Liga Árabe, Amr Moussa, denunciou o ''terrorismo de Estado'' de Israel, assim como o fizeram as autoridades do Líbano e da Síria que chamaramm a política do primeiro-ministro israelense para com os palestinos de ''terrorista''.
Em todo o Oriente Médio, de Teerã a Damasco, passando por Beirute e Trípoli, a condenação e a indignação foram unânimes.
Em Teerã, as autoridades condenaram ''firmemente a barbárie cometida pelos esquadrões da morte do regime sionista''. ''Israel realiza suas ações com o consentimento e o apoio dos Estados Unidos'', afirmou o porta-voz da chancelaria iraniana Hamid Reza Assefi.
Para Washington, que considera o Hamas uma ''organização terrorista'', Israel ''tem o direito de se defender''. ''Como dissemos em várias ocasiões, Israel tem o direito de se defender dos atentados'', disse o porta-voz da presidência americana, Scott McClelan.
O líder palestino Yasser Arafat também condenou ''vigorosamente'' este assassinato que não faz mais do que ''reforçar nossa resistência ante a barbárie da ocupação'', segundo um comunicado oficial.
Os sequestros no Iraque e o assassinato de Al-Rantissi são ''atos desumanos'', também afirmou no domingo o Papa João Paulo II durante a missa do Angelus, no Vaticano. ''Acompanho com grande tristeza as notícias trágicas que chegam da Terra Santa e do Iraque. O derramamento de sangue entre irmãos deve acabar. Atos desumanos deste tipo são contrários à vontade de Deus'', disse o Santo Padre.
O alto representante para a política externa da União Européia, Javier Solana, assegurou que um ato deste tipo ''não facilita uma saída positiva'' para o processo de paz no Oriente Médio.
Brian Cowen, ministro das Relações Exteriores da Irlanda, país que preside a União Européia neste semestre, pediu ''o fim imediato da violência'' e afirmou que ''as execuções extrajudiciais são contrárias ao direito internacional'' - seu respeito marca uma ''diferença importante entre os governos democráticos e os grupos terroristas''.
Para Paris, ''não é pela violência que a paz poderá se impor'', segundo um comunicado divulgado ontem pelo ministério das Relações Exteriores.
''A França condena o ataque contra o chefe do Hamas, Al-Rantissi, e declara mais uma vez que as execuções extrajudiciais são contrárias ao direito internacional e são inaceitáveis. Cada Estado da região tem o direito de proteger seus cidadãos e não menosprezamos o direito'', diz o comunicado.
O principal aliado de Washington no Iraque, a Grã-Bretanha, também condenou o assassinato. O chefe da diplomacia britânica, Jack Straw, chamou a ação de ''ilegal, injustificada e contraproducente''.
A Itália condenou a ''prática de assassinatos seletivos que contribuem para alimentar a espiral de ódio e violência''.
O novo chefe da diplomacia espanhola, Miguel Angel Moratinos, declarou aos jornalistas que a morte de Al-Rantissi constitui uma ''iniciativa contraproducente que não ajuda em nada a restabelecer o diálogo e a confiança no futuro''.
Moscou também condenou o assassinato do chefe do Hamas, que substituiu há menos de um mês o fundador e chefe espiritual do movimento islamita palestino, o xeque Ahmed Yassin, que em março passado morreu nas mesmas cicunstâncias.
''Moscou preocupa-se com as consequências possíveis e com o aumento da tensão no Oriente Próximo. A Rússia sublinhou repetidamente que os arranjos de contas extrajudiciais e os assassinatos seletivos são inadmissíveis'', declarou o porta-voz da chancelaria, Alexandre Yakovenko.
O Japão considerou o assassinato um ato ''irrefletido e injustificável''.
Este episódio representa um ''obstáculo sério para a paz e é profundamente
lamentável'', afirmou a chanceler Yoriko Kawaguchi.
A Turquia se somou às condenações mundiais qualificando o assassinato de ''ilegal''.


