Ato contra lei trabalhista reúne 1 milhão
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terça-feira, 04 de abril de 2006
Folhapress 
São Paulo - Os protestos contra a nova lei trabalhista que atinge os jovens levaram ao menos 1 milhão de pessoas às ruas da França ontem, provocando confrontos com as forças de segurança que deixaram nove feridos e causaram 200 prisões, segundo balanço divulgado pela polícia.
De acordo com cálculos das centrais sindicais, mais de três milhões de pessoas sendo 700 mil somente em Paris saíram às ruas francesas para exigir do governo a retirada do projeto do Contrato de Primeiro Emprego (CPE). A mobilização de hoje (ontem) é comparável a de 28 de março, disse Bernard Thibault, secretário-geral do principal sindicato francês, a CGT.
Entre um e três milhões de pessoas saíram às ruas há uma semana, dependendo dos cálculos da polícia e dos sindicatos, para protestar contra o contrato de trabalho para menores de 26 anos. O CPE permite a demissão de funcionários menores de 26 anos, durante os dois primeiros anos de contrato, sem justificativa e pagamento de indenização.
Vários incidentes foram registrados na capital francesa durante a manifestação que pedia a retirada imediata do chamado CPE. A polícia e um grupo de jovens se enfrentaram na altura da Place dItalie, ponto final da passeata. Jovens alheios ao movimento estudantil que organiza os protestos atiraram pedras e garrafas nos policiais, que responderam lançando bombas de gás lacrimogêneo.
Ao todo, nove pessoas ficaram feridas, entre elas um cinegrafista. A polícia anunciou a detenção de mais de 200 pessoas durante a jornada. Quatro mil agentes zelaram pela segurança da manifestação em Paris, cenário de episódios de violência.
Apesar das concessões feitas pelo presidente Jacques Chirac, que pediu ao governo do premiê Dominique de Villepin, na semana passada, a elaboração de um novo texto mais conciliador, os sindicatos somente aceitam a revogação da medida trabalhista.
De acordo com as entidades que representam os trabalhadores, o CPE, já aprovado por lei, só aumentará a precariedade das condições de trabalho dos jovens. Na manhã de ontem, o transporte público foi menos prejudicado que no protesto da semana passada. A circulação do metrô de Paris e de cidades como Lille (norte) foi pouco afetada.
No entanto, o tráfego aéreo foi bastante prejudicado. Autoridades estimam que cerca de um terço dos vôos foram cancelados e outros sofreram atrasos de mais de uma hora e meia.
Apesar dos protestos contra a implantação do CPE, a lei entrou em vigor neste domingo, após ter sido publicada no Diário Oficial da França. Desta maneira, o presidente francês, Jacques Chirac, cumpriu sua promessa de que sancionaria a nova lei trabalhista, apesar da rejeição por parte da maioria dos franceses manifestada em quase dois meses de grandes protestos.
No entanto, Chirac pediu ao governo do premiê Dominique de Villepin que os pontos mais criticados da lei sejam modificados. A lei pretende reduzir o desemprego entre os jovens, facilitando sua contratação. Mas uma cláusula, que permite ao empregador demitir sem justificativa ou indenização, desagrada os jovens.
A controvérsia ocorre antes das eleições no país, previstas para 2007. Pesquisas apontam que a popularidade de Villepin está em queda, e a oposição afirma que irá revogar a nova lei caso vença as eleições.


