São Paulo - Ao menos cinco pessoas morreram quando atiradores à paisana abriram fogo contra manifestantes iemenitas no Centro da Capital, Sanaa, ontem, disseram testemunhas e autoridades hospitalares, um dia após o presidente Ali Abdullah Saleh ter assinado um acordo para entregar o poder.
Além dos cinco mortos, outros 34 manifestantes ficaram feridos, segundo o novo registro do hospital de campanha instalado na Praça da Mudança.
Testemunhas disseram que os atiradores dispararam contra manifestantes na rua Zubayr, em Sanaa. Ao menos quatro corpos retirados do local do tiroteio foram vistos em um hospital próximo, onde uma autoridade disse que o número oficial de mortos até o momento era de cinco.
Saleh assinou um acordo para renunciar ao poder depois de 33 anos de um governo autocrático e dez meses de protestos, que tinham como objetivo encerrar seu domínio. A violência de hoje ressaltou os obstáculos que estarão no caminho de uma transição política pacífica.
''Legalistas do governo abriram fogo contra uma manifestação a partir dos telhados, de dentro de lojas e de um carro que estava de passagem'', disse Ibrahim Ali, de 22 anos, que estava em um hospital local após ser ferido no joelho. Algumas testemunhas disseram que forças de segurança uniformizadas participaram do tiroteio.
Outro manifestante disse que o protesto estava denunciando qualquer imunidade legal que Saleh poderia estar conseguindo por meio do acordo pela entregar o poder ao seu vice. O acordo seria uma medida para realizar eleições antecipadas.
''Estávamos marchando na Rua Zubayr, pedindo que Saleh e seus seguidores sejam julgados, quando homens armados vestidos com roupas civis abriram fogo contra nós diretamente'', disse a testemunha, que se identificou como Nael.
A violência continua no Iêmen apesar de Saleh ter assinado ontem a iniciativa incentivada por países do Golfo e considerada um passo essencial para sair da crise que atinge o país desde 27 de janeiro.
De acordo com o secretário-geral da Organizaçao das Nações Unidas, Ban Ki-moon, Saleh deve se transferir a Nova York para receber tratamento médico por causa dos problemas que sofre depois do ataque terrorista do qual foi vítima em junho.

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