Atirador queria matar brancos
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sexta-feira, 08 de julho de 2016
Anna Virgínia Balloussier e Marcelo Ninio<br>Folhapress 
Nova York - Micah Xavier Johnson, identificado como o franco-atirador que matou cinco policiais e feriu outros sete em Dallas, no Texas, na quinta (7), era um veterano do Exército americano, que serviu no Afeganistão. Segundo o chefe da Polícia de Dallas, David Brown, o jovem disse que queria "matar brancos, sobretudo agentes brancos" antes de ser morto. Ele afirmou estar "aborrecido", segundo Brown, com a morte de dois negros, em Louisiana e Minnesota, abatidos por policiais brancos nesta semana.
O autor do ataque morava com a mãe numa casa que aparenta ser de classe média, em Mesquite, cidade texana com 144 mil habitantes e população mais diversificada do que a média nacional: 36% brancos, 34% hispânicos e 26% negros. A passagem dele pelo Exército, no batalhão de reserva, durou de 2009 a 2015, confirmaram autoridades ao "Wall Street Journal". Por nove meses entre 2013 e 2014, ele serviu no Afeganistão.
TENSÃO
A repetição de ataques como o ocorrido em Dallas não será uma surpresa para Terrell Carter, escritor e líder comunitário que vivenciou os dois lados da tensão entre polícia e a comunidade negra nos EUA.
Ex-policial, negro, ele é autor de um livro que conta sua experiência patrulhando as ruas de Saint Louis, considerada a cidade mais violenta do país. "A violência policial contra pessoas de cor sempre aconteceu, mas ganhou maior visibilidade com as redes sociais e os celulares, algo que o mundo está vendo muito mais", disse Carter. Segundo ele, a reação vista em Dallas pode virar "uma tendência" contra a violência policial ."A raiva e frustração aumentaram. Não ficarei surpreso se outras pessoas decidirem fazer o mesmo."


