São Paulo - Antes de cometer o pior massacre em um campus universitário na história dos Estados Unidos, o estudante sul-coreano Seung-Hui, 23, enviou cartas, fotos e vídeos para a rede de TV americana NBC em Nova York, informaram ontem autoridades dos EUA.
Cho matou a tiros 32 pessoas antes de se suicidar na segunda-feira no campus do Instituto Tecnológico da Virgínia (Virginia Tech). O conteúdo do material ainda não foi revelado. A NBC informou que entregou o material para autoridades ontem. ''Este poderá ser um novo e crítico componente de nossa investigação. Estamos agora tentando analisar e avaliar seu valor'', disse o coronel Steve Flaherty, superintendente da Polícia Estadual da Virgínia.
A MSNBC News afirmou que o material aparentemente foi enviado entre o primeiro e o segundo ataques na universidade. O pacote, que inclui textos, vídeos e fotos, foi recebido ontem.
Com as aulas suspensas até a próxima semana, o campus da Virginia Tech voltou a experimentar momentos de pânico. Policiais com cães farejadores invadiram o prédio da reitoria no campus após um falso alerta. ''Meu Deus, começou de novo'', gritou a estudante Petty Wingler, 21, que testemunhou a chegada dos policiais armados ao edifício que fica perto ao Norris Hall, prédio da engenharia onde na segunda-feira 30 pessoas foram mortas.
A polícia recebeu uma ligação que mencionava uma movimentação incomum no edifício Burruss Hall, onde funciona a reitoria da universidade. ''Recebemos informações de atividades suspeitas. O alerta era infundado, o local está seguro'', disse um policial à imprensa. ''Em vista do que aconteceu no campus, não é estranho receber este tipo de ligação'', disse a porta-voz, Corinne Geller, em referência à comoção provocada pelo massacre no campus.

Coragem - O massacre na universidade foi marcado também por atos de heroísmo, como o do professor que bloqueou a porta de sua sala de aula para permitir que seus alunos fugissem pelas janelas e escapassem do atirador em segurança. Infelizmente acabou pagando com a própria vida. ''O professor que não temia a morte'' foi a manchete de ontem do jornal americano USA Today.
Dois dias após a tragédia, multiplicavam-se os depoimentos sobre a personalidade das vítimas e o que cada um fez para conseguir escapar.
A história de Liviu Librescu, de 76 anos, sobrevivente do Holocausto nazista, cidadão israelense de origem romena, era repetida entre os cadetes em uniforme militar de Virginia Tech enquanto se preparavam para entoar o hino nacional durante a cerimônia em homenagem às vítimas. É a história de um herói. ''Me contaram que foi muito valente. Não sobreviveu'', disse um deles com admiração.
Quando ouviu os disparos no edifício Norris Hall, Liviu Librescu, que dava aula de ciências mecânicas, correu para bloquear a porta da sala e permitir que os estudantes tivessem tempo de sair pela janela do primeiro andar.
''Acredito que sem ele eu não estaria aqui'', declarou Caroline Merrey, estudante de 22 anos que foi hospitalizada depois de pular pela janela.

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