São Paulo – França, Tunísia e Kuait foram alvo ontem de grandes ataques de grupos extremistas, que mataram dezenas de pessoas e alarmaram a comunidade internacional. Os ataques ocorrem três dias após membros do Estado Islâmico terem feito um chamado a seus apoiadores incentivando o "martírio" no mês sagrado do Ramadã. O grupo assumiu a autoria da ação no Kuait. A extensão geográfica dos atentados - que ocorreram em três continentes - mostra a disseminação da ameaça de facções extremistas pelo planeta.
O pior atentado ocorreu em uma praia turística na Tunísia, em que dezenas de banhistas – muitos deles britânicos e alemães – foram mortos por um atirador disfarçado de turista. Em março, outro ataque no país, no Museu do Bardo, atração turística perto do Parlamento tunisiano, havia matado 22 estrangeiros e deixou dezenas de feridos.
A Tunísia é o único país que conseguiu manter um governo democrático laico após a Primavera Árabe, em 2011. A nação sofre influência, porém, de grupos radicais e células terroristas. Segundo fontes independentes consultadas pelo governo americano, ao menos três mil tunisianos deixaram o país nos últimos anos para se juntar às fileiras de facções extremistas como o EI.

FRANÇA
Na França, uma cabeça decapitada foi encontrada em uma usina de gás com bandeiras e inscrições em árabe. Também houve explosões que deixaram ao menos dois feridos. Um suspeito foi preso. Em dezembro do ano passado, o Ministério de Interior da França havia estimado que ao menos 1.200 cidadãos ou residentes franceses estavam envolvidos com grupos extremistas na Síria, berço do EI.

KUAIT
No Kuait, um homem-bomba atacou uma mesquita xiita durante as preces de sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos. O Kuait é considerado um importante aliado americano na região do golfo Pérsico. Segundo o Departamento de Estado, em relatório divulgado em junho, o país vem sendo um parceiro-chave no combate dos EUA ao EI. O Conselho Europeu pronunciou-se condenando os três ataques. "O extremismo e o terrorismo minam as bases das sociedades democráticas e são completamente inaceitáveis", disse Anne Brasseur, presidente da assembleia parlamentar do conselho. O Itamaraty também soltou uma nota repudiando os atentados.
O governo britânico convocou uma reunião de emergência por causa dos ataques. Em um breve pronunciamento pelo Twitter, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, afirmou que os países devem permanecer unidos "no combate ao horror do terrorismo". Diante dos ataques, foi convocada uma reunião do "Cobra", grupo de alto escalão do governo que decide sobre questões de segurança. Turistas britânicos podem estar entre as vítimas do ataque em Sousse, na Tunísia, que deixou pelo menos 27 mortos. O Ministério de Relações Exteriores informou estar em busca de informações.

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