Jerusalém Dois atentados suicidas palestinos abalaram ontem o frágil reinício do processo de paz entre israelenses e palestinos, que se acusam reciprocamente de violação dos acordos estabelecidos por ambas as partes. O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, afirmou, logo depois dos atentados, que não se pode esperar progressos no processo de paz e acusou mais uma vez a Autoridade Palestina de ''nada fazer para desmantelar e desarmar as organizações terroristas''. Seu colega palestino, Mahmud Abbas, responsabilizou Israel por uma eventual suspensão da trégua unilateral, proclamada no final de junho pelos grupos armados palestinos, e disse que o processo de paz está ''ameaçado de implosão''.
Antes dos dois ataques, um deles em Israel e o outro na Cisjordânia, o plano internacional conhecido como ''mapa da paz'' já não conseguia avançar e a trégua estava ameaçada por um novo ciclo de violência.
Segundo o historiador israelense Yoseph Alpher, o principal risco ''é de que os atentados acelerem um fenômeno de reação em cadeia, que levaria a uma explosão da violência''. Na opinião de Alpher, as duas partes são regidas por uma lógica de escalada: o exército israelense executa ataques na Cisjordânia para impedir atentados, o que provoca respostas dos grupos palestinos e depois represálias, e assim sucessivamente.
O mais grave é que ''os dois lados violam abertamente seus compromissos em relação ao 'mapa da paz', sem que os Estados encarregados de fazê-los respeitar o acordo façam grande coisa'', opinou Alpher. ''Israel continua com sua política de colonização, que deveria ter sido suspensa, e a Autoridade Palestina se recusa a desarmar os ativistas, acrescentou.
Já os palestinos denunciam que Israel se nega a libertar os milhares de prisioneiros detidos em seu território e a retirar seu exército das áreas reocupadas, além de continuar com o cerco a seu líder, Yasser Arafat.
De acordo com todos os indícios, Israel não modificará sua política, por causa da pressão motivada por possíveis atentados.
O ministro da Defesa de Israel, Shaul Mofaz, descartou no início de agosto a possibilidade de uma retirada das cidades palestinas reocupadas, depois de uma emboscada palestina que teve um saldo de quatro israelenses feridos.
Além disso, os palestinos protestam contra a construção de uma barreira de segurança entre Israel e Cisjordânia, que atravessa o território palestino.
Dois israelenses morreram, além dos dois homens-bomba, e pelo menos 12 pessoas ficaram feridas na manhã de ontem nos dois atentados suicidas consecutivos, um ao noreste de Tel Aviv e outro na entrada da colônia de Ariel, na Cisjordânia. O primeiro ataque foi assumido por uma facção local das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, movimento armado vinculado ao Fatah de Yasser Arafat, e, o segundo, pelo movimento radical islamita Hamas.

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