Atentados matam 42 pessoas em Bagdá
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segunda-feira, 27 de outubro de 2003
Joulle Bassoul<br>France Presse 
Bagdá Quarenta e duas pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridos ontem em Bagdá, em consequência de cinco atentados suicidas registrados quase simultaneamente. Um deles foi cometido contra a sede do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e os outros quatro contra delegacias.
Um sexto atentado foi evitado no bairro Al-Jadida, em Bagdá. De acordo com o chefe da polícia e vice-ministro do Interior iraquiano, Ahmad Ibrahim, um carro carregado com uma tonelada de explosivos e dirigido por um sírio foi apreendido por policiais da delegacia local.
Segundo o general americano Mark Hertling, os cinco atentados suicidas teriam sido cometidos por estrangeiros. ''Existem indicações de que esses ataques foram cometidos por combatentes estrangeiros. Não se parecem com os realizados pelos partidários do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein'', afirmou. No entanto, o general Ibrahim acredita que ''este ataque terrível foi praticado pelos homens de Saddam Hussein''.
Quarenta e duas pessoas morreram e 216 ficaram feridas segundo cálculo baseado nos dados dos principais hospitais de Bagdá.
Cruz Vermelha O atentado contra a sede do CICV provocou a morte de 12 iraquianos e pelo menos 25 pessoas ficaram feridas, de acordo com o hospital Ibn Al-Nafis. Trata-se do primeiro ataque já cometido contra a organização humanitária desde que se instalou no Iraque, em 1980.
Segundo um guarda da sede do CICV, uma ambulância de hospital iraquiano foi utilizada para o ataque. ''A ambulância chegou em alta velocidade, e bateu contra os barris de concreto na frente do edifício. O motorista morreu na hora'', relatou. Um funcionário do CICV, Hadar Mustafá, informou que somente uma dúzia de pessoas se encontrava nos escritórios da entidade durante o ataque, por causa do início do Ramadã.
A sede do CICV não foi protegida pelos muros de concreto construídos pelas forças da coalizão em volta dos principais edifícios de Bagdá depois do atentado contra a sede da ONU, em agosto passado.
Um porta-voz do CICV, Florian Westphal, denunciou o ataque e informou que a organização reavaliará nos próximos dias suas condições de atuação em Bagdá mas já se antecipa que a Cruz Vermelha começará hoje a evacuar seus colaboradores internacionais presentes no Iraque.
Outros ataques Além da sede do CICV, quatro delegacias de polícia iraquianas sofreram ataques em Bagdá.
Enquanto isto, quatro civis iraquianos morreram e quatro outros ficaram feridos na região de Fallujah, 50 km a oeste de Bagdá, baleados por soldados americanos, informaram fontes médicas.
Uma mina explodiu na passagem do comboio militar americano, e os soldados revidaram atirando, explicou à AFP Haytham Al-Kubaissi, um médico do hospital de Fallujah.
''Após a explosão da mina, que danificou um de seus veículo, os soldados americanos responderam atirando contra os carros que passavam e contra as casas próximas'', destacou uma testemunha, Rabie Al-Issaui, de 40 anos.
Neste domingo, um ataque com foguetes contra o Hotel Al-Rashid, onde estava hospedado o número dois do Pentágono, Paul Wolfowitz, causou a morte de um soldado americano e 17 feridos. Vinte e nove foguetes foram disparados contra o hotel, mas Wolfowitz escapou ileso.
O exército americano anunciou ontem que quatro de seus militares morreram domingo durante vários ataques.


