São Paulo - No pior ataque em Londres desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quatro explosões atingiram ontem o sistema de transporte da cidade, deixando ao menos 37 mortos e 700 feridos. A ação ocorreu um dia após Londres ter sido eleita sede da Olimpíada de 2012.
O premiê Tony Blair, que participava da cúpula do G-8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia) na Escócia, classificou a ação como um ato ''bárbaro e cruel''. Já em Londres, Blair fez um pronunciamento à nação e disse que os responsáveis pelo ataque agiram em nome do islã. ''Eles estão tentando o massacre de inocentes para nos intimidar. Eles deveriam saber que não terão sucesso'', afirmou.
As explosões atingiram um ônibus e três trens em um momento de grande movimento das redes de transporte, entre 8h51 e 9h47 (entre 4h51 e 5h47, no horário de Brasília), e foram reivindicadas por um grupo supostamente ligado à rede terrorista Al-Qaeda.
Entre as vítimas, 21 morreram em um metrô perto da estação de Liverpool Street, sete em outro trem que estava próximo da estação Moorgate e cinco na estação Edgware Road. Duas pessoas morreram na explosão que atingiu um ônibus de dois andares.
A polícia de Londres disse que, até o momento, as autoridades britânicas não receberam nenhuma reivindicação dos ataques, mas um grupo auto-intitulado Organização Secreta Al-Qaeda na Europa divulgou um comunicado em uma página na internet reivindicando a autoria da ação, segundo o site da revista alemã ''Der Spiegel''.
De acordo com informações de testemunhas, logo após as explosões era possível ver pessoas correndo entre pedaços de corpos que foram lançados a grandes distâncias. Os feridos graves foram atingidos por queimaduras e amputações, de acordo com o relato oficial da polícia metropolitana de Londres.
Toda a rede ferroviária foi interrompida, e os ônibus estão proibidos de circular no centro. Centenas de ambulâncias e equipes de socorros foram para os locais das explosões para dar atendimento. A primeira explosão ocorreu às 8h51 (4h51 de Brasília), a cem metros da estação de metrô de Liverpool Street, que deixou sete mortos.
Cinco minutos depois (às 8h56 em Londres), houve outra explosão na linha do metrô entre a estação King's Cross e a praça Russell, matando 21 pessoas. Às 9h17 (5h17 de Brasília), uma explosão foi registrada no trem que tinha como destino a estação de metrô de Edgware Road. O impacto abriu um buraco na parede lateral, atingindo um outro trem, e possivelmente um terceiro. Ao menos cinco pessoas morreram.
A última explosão foi ouvida às 9h47 (5h47 de Brasília), e atingiu um ônibus de dois andares em Tavistock. Ainda não há informações claras sobre quantas pessoas morreram no último atentado. O grupo terrorista IRA (Exército Republicano Irlandês, guerrilha católica) negou qualquer vínculo com os atentados.
Logo após a notícia da explosão, vários líderes europeus fizeram declarações de apoio e solidariedade à população da Inglaterra. A Embaixada de Israel em Londres decretou alerta máximo.
As câmeras do circuito interno de segurança das estações de metrô londrinas podem ter captado imagens dos terroristas responsáveis pelas explosões. De acordo com a polícia, 1.800 câmeras vigiam as estações de trem londrinas e outras seis mil monitoram a rede subterrânea do metrô. Alguns ônibus também já contam com circuito interno de segurança.
Além disso, muitas pessoas costumam carregar câmeras fotográficas digitais de bolso ou em celulares, e algumas fotografias deste tipo, feitas de dentro dos vagões e das estações, foram exibidas em emissoras de televisão britânicas na tarde de ontem.''Claramente, nós já tivemos sucesso considerável no uso de imagens do circuito interno de TV para traçar a movimentação de pessoas envolvidas em vários crimes'', afirmou Brian Paddick, vice-assistente comissionário da polícia.
A polícia terá total acesso às imagens registradas pelas câmeras instaladas nas estações e nos ônibus, assim como as do circuito montado nas entradas das estações de metrô e nos pontos de ônibus.
Cerca de 4,2 milhões de câmeras a maioria concentrada em Londres e em outras grandes cidades observam os britânicos 24 horas por dia. A estimativa é que os britânicos são flagrados pelas câmeras em média 300 vezes por dia.
O país já foi criticado pelo monitoramento constante dos cidadãos. Os críticos afirmam que o sistema é limitado porque os monitores não são acompanhados na central em tempo real. Ou seja, raramente as câmeras ajudam a impedir crimes em andamento, apenas auxiliam as autoridades a identificar posteriormente os criminosos.

mockup