O centro da capital argentina viveu ontem um dia de caos. A greve geral de 24 horas convocada pelo setor dissidente da Confederação Geral do Trabalho (CGT) em protesto ao modelo econômico do país paralisou os serviços de transporte, de recolhimento de lixo e todos os que dependem dos caminhoneiros, principal sindicato a aderir ao movimento liderado pelo caminhoneiro Hugo Moyano. Várias ruas foram interditadas e o lixo ficou acumulado pelas calçadas. Os grevistas colocaram fogo em pneus e em montes de lixo.
Ativistas não identificados detonaram durante a madrugada uma bomba de baixa potência no edifício da firma Telefónica (capital espanhol) e outra em um jardim de infância, na província de Mendoza (Oeste), causando danos materiais, mas não vítimas, informou a polícia local. Esta semana também colocaram uma bomba no banheiro do ministério de Justiça e Segurança da província. A polícia conseguiu desativar outro explosivo que tinha sido colocado num ônibus numa praça da cidade.
Centenas de desempregados obstruíram estradas e pontes nos distritos mais povoados da periferia de Buenos Aires e outras capitais, enquanto aderiam à paralisação quase em massa os transportadores, estatais, judiciais e docentes. A paralisação de atividades não foi, contudo, homogênea nos setores industriais, comerciais e financeiros, onde têm menor influência os grevistas do setor dissidente da majoritária CGT e da Central de Trabalhadores Argentinos (CTA).
Segundo o presidente Fernando de la Rúa, a greve de ontem vai contra todos os esforços que o governo tem feito para melhorar a situação na Argentina. ‘‘Estamos trabalhando duro para equilibrar a situação financeira, estamos fazendo programas de competitividade e acordos com vários setores do país porque a situação é difícil e exige mais esforço e, sobretudo, trabalho.’’

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