Atentados foram executados por irmãos
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quarta-feira, 23 de março de 2016
Juliano Machado<br>Folhapress 
Bruxelas - O procurador-geral da Bélgica, Frédéric Van Leeuw, afirmou ontem que dois dos suicidas que participaram dos ataques em Bruxelas, na terça-feira, eram os irmãos belgas Ibrahim e Khalid el-Bakraoui. Ambos eram suspeitos de vínculo com a facção terrorista Estado Islâmico (EI) e tiveram envolvimento, ainda que indireto, na série de atentados em Paris, em novembro passado, o que comprova a hipótese inicial de conexão entre as duas ações terroristas. Ibrahim, de 29 anos, foi um dos homens-bomba que se explodiram no aeroporto internacional de Zaventem. Ele foi identificado pela digitais.
Já seu irmão Khalid, de 27, se explodiu em um vagão de metrô na estação Maelbeek, cerca de uma hora depois. Não é o primeiro caso de irmãos terroristas: o mesmo havia ocorrido em Boston (2013) e Paris (2015). Os ataques, reivindicados pelo EI, deixaram ao menos 31 mortos e 270 feridos. Milhares de pessoas se reuniram na Place de la Bourse, centro de Bruxelas, para homenagear as vítimas com vigília, velas e pedidos de paz. Órgãos públicos, escolas e moradores em suas casas fizeram um minuto de silêncio.
A polícia ainda não identificou oficialmente o segundo homem que detonou explosivos no aeroporto, mas participantes da investigação afirmaram à agência Associated Press que ele seria Najim Laachraoui, de 24 anos.
Isso reforça o elo entre Paris e Bruxelas, pois o DNA de Laachraoui foi achado em dois coletes de explosivos usados nos ataques na França. Também foi encontrado material genético dele em um dos apartamentos usados como esconderijo por Salah Abdeslam, de 26, um dos organizadores dos ataques a Paris e preso numa operação em Bruxelas sexta-feira.
Uma das linhas de investigação é a de que as ações de terça respondiam à prisão de Abdeslam. Ainda sobre a conexão com Paris, Khalid el-Bakraoui teria alugado, com um falso nome, o apartamento em que a polícia belga matou Mohammed Belkaid, outro cúmplice de Abdeslam.
Khalid também é apontado como o locatário de uma casa na cidade belga de Charleroi que teria sido usado pela célula de Paris como preparação para os ataques.
EXPLOSIVOS
O procurador Van Leeuw disse ainda que um motorista de táxi procurou a polícia, dizendo ter buscado três homens em um endereço no bairro de Schaerbeek e os levado até o aeroporto. Nesse endereço, a polícia encontrou 15 quilos do explosivo TATP, mesmo tipo usado nos ataques de Paris, e outros materiais para bombas: 150 litros de acetona, 30 de água oxigenada, um detonador e uma mala com pregos.


