Israel foi cenário de violentos atentados desde sábado à noite e que deixaram um saldo de pelo menos 31 mortos e mais de 200 feridos. A tragédia enfraqueceu politicamente Yasser Arafat e obrigou o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, a antecipar sua volta dos Estados Unidos.

Estes atentados transformaram o domingo no dia mais violento desde o início da segunda Intifada (revolta palestina), em setembro de 2000, e que já deixou um saldo de 1.039 mortos, a maioria de palestinos.

Os israelenses estavam ainda estupefatos com o duplo atentado ocorrido em uma popular rua da parte oeste de Jerusalém no sábado à noite que deixou um saldo de 12 mortos, entre eles os dois terroristas suicidas , quando outra explosão ocorreu em Haifa (norte). Pelo menos 16 pessoas morreram nesta explosão registrada em um ônibus que atravessava uma ponte.

O braço armado do grupo extremista islâmico Hamas reivindicou ontem os atentados, em um comunicado publicado em seu site na Internet. Em Gaza, a Autoridade Palestina condenou ''firmemente'' o novo atentado terrorista cometido em Haifa e pediu uma reunião de emergência dos dirigentes palestinos.

Ontem dois palestinos mataram um colono em uma emboscada no norte da Faixa de Gaza e foram posteriormente mortos pelo Exército israelense. Além disso, um israelense sofreu ferimentos graves na cabeça por disparos palestinos perto de Jenin, no norte da Cisjordânia.

O atentado de Haifa coincide com a presença na região do novo mediador americano para o Oriente Médio, o general Anthony Zinni, cuja missão visa obter um cessar-fogo duradouro entre as duas partes. O ex-general visitou ontem o local do primeiro atentado em Jerusalém, que amanheceu transformado em um cenário macabro.

As 12 vítimas tinham entre 14 e 20 anos. De mais de uma centena de feridos, 83 continuam hospitalizados e sete encontram-se em estado grave, segundo fontes médicas.

O primeiro-ministro israelense Ariel Sharon se reuniu ontem em Washington com o presidente americano George W. Bush, em um encontro que estava previsto para hoje, mas que teve de ser antecipado já que Sharon deseja regressar o quanto antes a Jerusalém.

Até ontem no final da tarde o Governo israelense não havia se pronunciado sobre o atentado de Haifa, mas o exército israelense anunciou que, a partir de agora, está proibida na Cisjordânia a circulação de palestinos fora das zonas sob controle total da Autoridade Palestina (zonas A). Quanto aos atentados de sábado, em Jerusalém, o porta-voz de Sharon anunciou em Nova York que haverá uma ''resposta israelense proporcional'' ao crime, o que deixa antever uma perigosa represália.

Em Washington, Bush e o secretário de Estado americano Colin Powell também pediram ao presidente da Autoridade Palestina Yasser Arafat que tome medidas ''decisivas e imediatas'' para deter e julgar os responsáveis pelos atentados.

Ontem pela manhã, o ministro israelense das Relações Exteriores, Shimon Peres, que preside o Governo na ausência de Sharon, reuniu o gabinete de segurança para aprovar medidas anunciadas pelo ministro da Defesa, Binjamin Ben Eliezer. Peres também convocou com urgência os embaixadores em Israel para comunicar-lhes ''a extrema gravidade da situação''.

mockup