Poderosas bombas explodiram quase simultaneamente na frente das embaixadas dos Estados Unidos no Quênia e na Tanzânia ontem, matando, segundo estimativas feitas à noite e que não devem ser os números finais da tragédia, 80 pessoas e ferindo mais de mil - muitas gravemente.
Oito americanos, entre eles uma criança, estão entre os mortos do atentado em Nairóbi. Sete funcionários americanos no Quênia estão desaparecidos e 15 foram hospitalizados, informou um porta-voz do Departamento de Estado.
A embaixadora americana no Quênia, Prudence Bushnell, ficou levemente ferida, com apenas um corte nos lábios. Em Dar Es-Salaam, na Tanzânia, seis pessoas morreram e 58 ficaram feridas, entre elas dois americanos.
‘‘Esperamos o pior, pois devemos encontrar mais mortos’’, advertiu a porta-voz da Cruz Vermelha Nina Galbe.
A explosão em Nairóbi, possivelmente causada por um carro-bomba, ocorreu aproximadamente às 10h35 locais (4h35 de Brasília) na Avenida Hailé Selassie, destruindo a frente do edifício Ufundi Cooperative e o prédio da embaixada. O edifício de 25 andares da Cooperative Bank House, onde ficam escritórios do governo e particulares, também foi seriamente atingido.
A explosão estilhaçou janelas num raio de dez quarteirões. Vários passageiros de dois ônibus que passavam no local foram mortos pelos estilhaços ou pelos pedaços de concreto que foram arremessados pela explosão. Roupas ensanguentadas e papéis cobriram as ruas. As portas blindadas da embaixada tinham sido arrancadas.
Segundo testemunhas, a multidão avançou sobre uma montanha de concreto e metal retorcido na busca das vítimas, que estendiam seus braços e gritavam por socorro por debaixo dos escombros.
Corpos podiam ser vistos pelas janelas de um ônibus e um carro incendiados. Vários carros foram abandonados queimando na rua. Sobreviventes feridos eram estirados no chão entre poças de sangue, enquanto o socorro não vinha. Vários voluntários levavam as vítimas aos hospitais com seus próprios carros. O elevador de um prédio vizinho caiu. Os feridos graves foram carregados pelos próprios companheiros.
Um caminhão foi transformado em necrotério. Nele foram abrigados os corpos de 35 vítimas. Soldados quenianos, fuzileiros americanos e civis buscavam, com a ajuda de escavadeiras, remover os escombros e resgatar as vítimas.
Os EUA enviaram um avião de carga C-141 com medicamentos e equipes médicas a Nairóbi, cujos hospitais estavam repletos de feridos. O doutor Frank Njenga afirmou que os hospitais necessitavam de sangue e também de pessoal médico para enfrentar a situação.
O governo queniano pediu, por meio de rádios, a doação de sangue à população e aos médicos e enfermeiras de férias ou de folga para apresentar-se com urgência aos hospitais. A Força Aérea da África do Sul enviou uma missão de resgate, a pedido dos EUA.
O governo israelense informou estar preparado para enviar imediatamente ajuda ao Quênia e à Tanzânia, incluindo uma equipe especializada em resgatar vítimas de atentados, e a Alemanha ofereceu a ajuda de suas Forças Armadas para socorrer as vítimas. O Ministério da Defesa alemão informou que está preparando aviões com equipes médicas.
Na Tanzânia, a explosão de um suposto carro-bomba em frente da embaixada americana deixou o quarteirão diplomático em Dar Es-Salaam como um campo de guerra, destruindo carros e arrancando árvores. A embaixada francesa e a residência oficial do embaixador da Alemanha também foram seriamente afetados.
‘‘Eu estava no setor de vistos’’, contou Amio Zara, que foi ferida na cabeça, braços e pernas durante a explosão. ‘‘Ouvi um estrondo e imediatamente senti forte dor de cabeça. Tentei descer as escadas, mas os degraus haviam sumido. Tentei sair de lá, mas só via fumaça, então desmaiei’’, contou a mulher, de 45 anos.
O corpo de uma das seis vítimas estava totalmente irreconhecível. Mais de 50 feridos foram hospitalizados em Dar Es-Salaam. Os bombeiros isolaram a área, de onde saíam intensas nuvens de fumaça, e tentavam impedir que as chamas que saíam do prédio atingissem um caminhão-tanque estacionado nas imediações. O clima era de intenso pavor e desolação.France PresseTragédiaBombeiros, policiais e voluntários tentam resgatar as vítimas da poderosa explosão ocorrida diante da Embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi. Nas proximidades do prédio onde ocorreu a explosão, os feridos eram conduzidos rapidamente para hospitais, enquanto um caminhão foi convertido em necrotério para os corpos estraçalhadosBombas explodiram, quase à mesma hora, diante das embaixadas em Nairóbi, no Quênia, e Dar Es-Salaam, em Tanzânia

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