Haifa - Um atentado suicida cometido ontem dentro de um restaurante de Haifa (norte de Israel) deixou 18 pessoas mortas e cerca de 30 feridas.
Segundo a polícia de Israel, o ataque aconteceu no restaurante Maxim, que estava cheio no momento da explosão. O restaurante fica em Ha'Haganah Boulevard, no sul da entrada da cidade, ocupada arábes-israelenses.
O comandante da polícia, Yaakov Borovsky, confirmou que houve disparos de tiro antes da explosão, aparentemente do suicida contra o guarda que fazia a segurança do restaurante.
De acordo com o jornal israelense ''Harretz', as forças de segurança do país estão em estado de alerta máximo em razão do feriado do Yom Kippur, mas os oficiais de Haifa não tinham recebido nenhuma ameaça de ataque terrorista.
Na sexta-feira, o grupo militante islâmico Hamas disse que a barreira que está sendo construída na Cisjordânia não evitaria ataques. O comunicado do Hamas aumentou a campanha palestina contra a barreira, que Israel decidiu na quarta-feira estender ao longo do território palestino.
Uma fonte do gabinete do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon acusou a Autoridade Palestina de ser a responsável pelo atentado suicida, porque a mesma ''não desmantelou as organizações terroristas''.
Dia do Perdão Israel começou a isolar-se do resto do mundo para celebrar, a partir de hoje à noite, o Yom Kippur, Dia do Perdão, enquanto os Estados Unidos continuam criticando a construção de um muro de segurança na Cisjordânia e o prosseguimento da colonização.
Para o Dia do Perdão, Israel impôs na sexta-feira o bloqueio total dos territórios palestinos da Cisjordânia e Gaza. A partir da tarde de hoje, os postos de fronteira, portos e aeroportos também fecharão, só voltando a abrir amanhã à noite.
O feriado coincide com o 30º aniversário da guerra árabe-israelense, que custou a vida de 2.700 israelenses e ainda é considerada algo traumático pelos moradores do Estado Hebreu. O conflito terminou com o mito da invencibilidade do exército israelense, apesar da vitória do mesmo.
Como acontece em todos os anos, os meios de comunicação voltaram a tratar do tema que continua perturbando os israelenses: como o Estado Hebreu pôde ser atacado de surpresa no dia 6 de outubro de 1973, dia do Yom Kippur, por uma ofensiva conjunta dos exércitos egípcio e sírio?
O governo trabalhista, dirigido na época por Golda Meir, convencido de que a superioridade militar israelense era suficientemente dissuasiva para qualquer ataque, não acreditou que uma ofensiva árabe pudesse acontecer. Por isso, não levou em consideração as advertências e não ordenou a mobilização dos oficiais até poucas horas antes do início das hostilidades, que provocaram o caos.
No aspecto diplomático, os Estados Unidos voltaram a criticar a construção de um muro de segurança na Cisjordânia e o prosseguimento da colonização israelense.
''Já dissemos, e eu repito, que a continuação da colonização não ajuda os avanços de paz'', declarou na sexta-feira o porta-voz do Departamento de
Estado, Richard Boucher. Boucher disse que a construção de novas casas em três colônias, anunciada na quinta-feira, pode resultar em eventuais sanções econômicas.
O secretário de Estado americano, Colin Powell, também criticou o traçado do muro de segurança que Israel está construindo. ''Este muro constitui um problema. Se você quer construir uma barreira sobre algo que é uma fronteira reconhecida como 'a linha verde' (entre Israel e a Cisjordânia), então construa do lado que lhe pertence'', disse Powell.
A obra, de 430 km de comprimento no total, percorrerá a linha verde do norte ao sul, invadindo em alguns trechos até 20 km da Cisjordânia para incluir colônias.

mockup