Atentado suicida deixa 14 mortos no Paquistão
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sexta-feira, 07 de maio de 2004
France Presse 
Karachi, Paquistão - Pelo menos 14 pessoas morreram e mais de 90 ficaram feridas ontem na explosão de uma bomba em uma mesquita xiita de Karachi (sul do Paquistão) durante a oração, segundo fontes da segurança.
A bomba explodiu na 'imambargah' (mesquita xiita), vizinha de uma das mais famosas escolas islâmicas de Karachi, a Sindh Madrasa Islam School, onde quase cem pessoas participavam na oração de Juma (meio-dia) de sexta-feira, a mais importante da semana.
''Quando os fiéis começavam a oração de Juma, um homem depositou um pacote nas primeiras filas e abandonou a mesquita imediatamente'', disse uma testemunha entrevistada no local pela AFP.
Pouco depois, a explosão causou uma enorme bola de fogo e o pânico começou, acrescentou Mushtaq Ali, outro fiel que ficou levemente ferido. As vidraças e o teto do edifício foram atingidos.
O porta-voz do governo da província de Sindh, Salahudin Haider, confirmou à AFP que se tratou de um atentado suicida. O homem, que não foi identificado, se misturou aos fiéis que rezavam antes de detonar a bomba que carregava, acrescentou Haider.
''Consegui os nomes de 13 pessoas mortas que estavam no hospital civil e outro que estava em outro hospital'', afirmou à AFP o policial Salman Waheed, que não descarta a possibilidade de que o balanço de vítimas aumente com o passar das horas.
Entre as vítimas, precisou o oficial, está o imã Jawaja Kumail, que comandava a oração. O complexo da Sindh Madrasa, no centro da grande cidade portuária de Karachi (14 milhões de habitantes), possui uma mesquita xiita e outra su© nita e é considerado um dos símbolos da fraternidade entre as duas grandes correntes do Islã.
O complexo escolar islâmico foi fundado pelo ''pai da Nação'', o fundador do Paquistão, Mohammed Ali Jinnah. Segundo testemunhas, xiitas e sunitas participavam juntos nas operações de resgate, gritando frases contra a violência entre muçulmanos. Alguns jovens jogaram pedras contra veículos da polícia.
A violência entre sunitas e xiitas no Paquistão, país de 150 milhões de habitantes, 97% deles muçulmanos, provocou milhares de mortos desde o início da década de 1990.
Os xiitas constituem quase 20% da população paquistanesa. O presidente do país, Pervez Musharraf, que condenou ''energicamente'' o atentado, recomendou à administração local que ''realize uma investigação exaustiva'' do atentado e reiterou a ''determinação do governo de eliminar o terrorismo em todas as suas formas''.


