Atentado se assemelha a ações de grupos radicais
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terça-feira, 19 de agosto de 2003
Agência Folha 
O alvo e a natureza do ataque contra a sede da ONU em Bagdá tem características de atentados realizados por grupos radicais islâmicos, como a rede terrorista Al Qaeda, afirmaram autoridades e especialistas.
Bernard Kerik, ex-chefe da polícia de Nova York e conselheiro norte-americano do Ministério do Interior do Iraque, afirmou que poderia se tratar de um ataque suicida. ''Pode ser um suicida. Há indícios que permitem dizer isso'', disse ele, acrescentando que havia uma ''enorme quantidade de explosivos'' no local.
Os EUA culpam a rede Al Qaeda, liderada pelo saudita Osama bin Laden, pelos ataques de 11 de setembro de 2001 contra as torres do World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, na região de Washington. A rede é conhecida por ataques suicidas de grande impacto, enquanto ataques feitos por iraquianos leais ao ex-presidente iraquiano Saddam Hussein e outras guerrilhas locais têm escala muito menor e não envolveram, até o momento, agressores suicidas.
No começo deste mês, quando a explosão de um carro-bomba na Embaixada da Jordânia em Bagdá matou 11 pessoas, os alvos e a escala dos ataques no Iraque passaram a abranger, além de soldados americanos, civis.
Paul Bremer, administrador dos EUA no Iraque, disse considerar o Ansar al Islam, um grupo ligado à Al Qaeda que atuaria no norte do Iraque antes da guerra, um possível suspeito do bombardeio na embaixada. Bremer disse que o grupo pode estar se reorganizando em Bagdá depois que suas bases no norte do país foram destruídas por ataques das forças lideradas pelos EUA.
Ninguém alegou responsabilidade pelos ataques à embaixada e à sede da ONU. Dia'a Rashwan, especialista em radicalismo islâmico no Centro de Estudos Políticos e Estratégicos Al Ahram, no Egito, disse que os iraquianos que atacaram forças norte-americanas ''não têm problemas com a ONU', mas grupos como a Al Qaeda têm. ''O ataque combina com a ideologia da Al Qaeda'', disse Rashwan. A Al Qaeda já expressou diversas vezes hostilidade à ONU, acusando a organização de usar sua legitimidade para permitir invasões em terras palestinas.


