O primeiro-ministro israelense, o trabalhista Ehud Barak, e seu sucessor de direita Ariel Sharon, chegaram a um acordo ontem para criar um governo de união nacional, informou a assessoria do primeiro-ministro em Jerusalém.
‘‘O primeiro-ministro em final de mandato e seu sucessor eleito chegaram a um acordo ontem à noite quanto à criação de um governo de união nacional. O estabelecimento deste gabinete dependerá da elaboração de um programa de governo e de resolvermos as divergências sobre este assunto’’, disse a assessoria do primeiro-ministro.
‘‘O primeiro-ministro Ehud Barak expressou a esperança de que no início da próxima semana possa levar esta decisão aos dirigentes do Partido Trabalhista. Durante seu encontro, Barak e Sharon concordaram que as pastas da Defesa e das Relações Exteriores seriam entregues a membros do Partido Trabalhista dentro deste governo de união nacional’’, acrescentou. A assessoria de Barak não confirmou se ele aceitou ser ministro da Defesa, mas a TV israelense deu a notícia como certa.
O Partido Likud do primeiro-ministro eleito Ariel Sharon e os membros do Partido Trabalhista de seu antecessor, Ehud Barak, aceleraram as negociações um dia depois do atentado que causou oito mortos e 21 feridos, perto de Tel Aviv. Os contatos entre o Likud e os trabalhistas se intensificaram depois do atentado. Segundo a rádio militar, os dirigentes do exército esperam novos atentados em Israel.
Segundo a rádio pública, o Likud e os trabalhistas estão praticamente de acordo quanto ao programa de governo.
Sharon, que tem até o final de março para formar seu gabinete, deseja constituir um Governo de União Nacional para evitar ver-se com os pés e mãos atados frente às organizações de extrema direita e ultra-ordoxosos. O chefe do governo eleito ofereceu aos trabalhistas a possibilidade de escolher dois dos três ‘‘grandes’’ ministérios: Defesa, Relações Exteriores e Finanças. Por outra parte, os trabalhistas obteriam cinco ou seis ministérios adicionais, uma quantidade igual aos atribuídos ao Likud, de acordo com a rádio.
Ontem, um policial palestino foi morto por disparos de soldados israelenses quando tentava infiltrar-se na colônia de Kfar Darom, no sul da Faixa de Gaza, anunciou um porta-voz militar. Com esta morte, sobe para 412 o total de vítimas desde 28 de setembro passado, quando teve início a nova Intifada (337 palestinos, 61 israelenses, 13 árabes-israelenses e um alemão).

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