Atentado perturba a paz em Gaza
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domingo, 28 de agosto de 2005
France Presse 
Israel - Dois israelenses ficaram gravemente feridos na manhã de ontem, no terminal central de ônibus da cidade de Beersheva, no sul de Israel, no primeiro ataque suicida palestino desde a desocupação das colônias judaicas da Faixa de Gaza.
Quarenta pessoas sofreram ferimentos de menor importância, principalmente devido ao pânico, mas a ação reduz as perspectivas de diálogo e paz na região.
Em telefonema à Agência France Presse, um homem reivindicou o ataque em nome de dois grupos radicais palestinos: ''Este atentado foi realizado em nome das Brigadas dos Mártires de Al Aqsa (do Fatah) e das Brigadas de Al Qods (da Jihad Islâmica) por Alaa Zaaki, de 25 anos, natural de Beit Omar'', entre Belém e Hebron, Cisjordânia.
O ataque não se tornou uma catástrofe porque o homem-bomba levava uma bolsa suspeita e foi interceptado pelo motorista do ônibus em que tentava entrar e por dois guardas. ''Evitamos uma matança graças à atenção do motorista, que não permitiu que o homem entrasse no ônibus e alertou dois guardas'', informou o delegado Uri Rozen, responsável pela região de Beersheva.
Segundo a Polícia e testemunhas, os guardas pediram que o homem mostrasse um documento de identidade. Foi então que o suspeito fugiu e, quando ia ser preso, detonou o explosivo.
O ataque põe fim ao período de calmaria na região, após a desocupação das 21 colônias judaicas da Faixa de Gaza e de quatro assentamentos isolados no norte da Cisjordânia, concluída na terça-feira. Ele acontece um ano após a morte de 15 israelenses num atentado contra um ônibus, também em Beersheva.
O último ataque suicida palestino havia ocorrido em 13 de julho, quando um terrorista da Jihad Islâmica matou quatro israelenses em Netanya, ao norte de Tel Aviv.
Segundo o porta-voz do governo de Israel, Avi Pazner, o ataque de hoje é consequência da falta de ação da Autoridade Palestina contra os grupos radicais. ''Se os palestinos quiserem dar continuidade ao processo de paz, terão que tomar medidas firmes contra os grupos terroristas'', exigiu.
Para o ministro da Segurança Interna israelense, Gideon Ezra, o atentado ''não marcará o início de uma onda de terrorismo, e sim mostra a necessidade de que as autoridades palestinas se esforcem mais para neutralizar os grupos radicais''.
Antes de dar início ao plano de desocupação das colônias de Gaza, o premier de Israel, Ariel Sharon, avisou aos palestinos que se houvesse atentados neste período, a resposta do exército não teria ''precedentes''.
A princípio, está previsto que as tropas israelenses deixem a Faixa de Gaza no próximo dia 15 de setembro, uma vez concluídas as demolições e a retirada de toda a infra-estrutura militar. Depois, a terra será devolvida aos palestinos.
Autoridades palestinas reuniram-se ontem no bairro de Abu Dis, nos arredores de Jerusalém, dividido em dois pelo muro de separação que Israel está construindo na Cisjordânia. O objetivo era protestar simbolicamente contra a colonização israelense.
Na semana pasada, Israel anunciou que construirá uma grande delegacia em Maale Adumim, importante colônia nos arredores de Jerusalém, e que planeja construir mais 3.500 casas. Com isso, os palestinos da parte oriental de Jerusalém, ocupada e anexada por Israel, correm o risco de ficar isolados do restante da Cisjordânia.
Frente a esta situação, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abas, pediu que Israel ponha fim à política de colonização, como determina o plano internacional de paz para a regiao. Abas também pediu a Israel que dê aos palestinos ''motivos para não perder a esperança''.


