Atentado não evita a troca de prisioneiros
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
France Presse 
Jerusalém Onze pessoas, incluindo o camicase, morreram ontem pela manhã em um ataque suicida cometido no centro de Jerusalém, no mesmo dia em que teve o início o processo de troca de prisioneiros entre Israel e o Hezbollah.
Um dia antes, durante uma incursão no bairro de Al Zeitun, em Gaza, os soldados israelenses mataram oito palestinos, incluindo quatro militantes do movimento radical Jihad Islâmica, que prometeu vingá-los. Mas foram as Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, grupo armado ligado ao Fatah, movimento de Yasser Arafat, que reivindicaram o ataque.
A explosão dentro de um ônibus aconteceu nas imediações da residência oficial do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, que não estava em casa.
Além disso, 50 pessoas ficaram feridas, dez das quais em estado grave. Este é o primeiro atentado suicida em Israel em 2004. Em março de 2002 foi realizado um ataque similar a alguns metros do mesmo local.
Os movimentos radicais Hamas e Jihad Islâmica justificaram o atentado, embora não o tenham reivindicado. Este atentado é uma resposta legítima de nosso povo às matanças israelenses, sendo que a última aconteceu quarta-feira em Al Zeitun, declarou à AFP Said Siam, um dos dirigentes do Hamas.
Por sua parte, o dirigente da Jihad Islâmica, Mohamed al Hindi, atribuiu a responsabilidade do atentado a Israel.
Israel deve assumir a responsabilidade por tudo que acontece. Houve uma matança no bairro Al Zeitun e ninguém a condenou, mas hoje vamos ouvir as condenações da comunidade internacional, afirmou Al Hindi. É Israel que sempre começa o ciclo de violência e nosso povo tem o direito de se defender.
Por sua vez, o primeiro-ministro palestino Ahmed Qorei condenou o atentado, assim como toda a violência dirigida contra seu povo, como o ataque de quarta-feira em Gaza. O que aconteceu em Gaza e em Jerusalém confirma a necessidade de uma intensificação dos esforços internacionais para fazer avançar o processo de paz, declarou o ministro palestino encarregado das negociações israelense-palestinas, Saeb Erakat.
Troca de prisioneiros Em meio a esse cenário de violência, teve início na Alemanha a troca de prisioneiros entre Israel e o Hezbollah, formação xiita libanesa. Apesar do ataque suicida, Israel respeitará os acordos concluídos e a troca de prisioneiros seguirá seu curso, afirmou Raanan Gissin, porta-voz do premier palestino. Gissin afirmou ainda que o ataque de ontem justifica a recusa de Israel em reconhecer ao Tribunal Internacional de Justiça (CIJ) o direito de pronunciar-se sobre a barreira de separação que o Estado israelense está construindo atualmente na Cisjordânia.
Um avião proveniente de Beirute, que transportava Elhannan Tannenbaum (um comerciante e coronel da reserva capturado pelos palestinos em outubro de 2000) e os restos de três soldados israelenses, e outro aparelho procedente de Tel Aviv, com 30 prisioneiros árabes e um alemão, aterrissaram no aeroporto de Colônia-Wahn (oeste da Alemanha), sob fortes medidas de segurança.
A equipe de médicos legistas do exército israelense confirmou a identificação dos corpos dos soldados entregues pelo Hezbollah.
Na região de Ramallah, 57 presos foram libertados e conduzidos imediatamente ao quartel-general do dirigente palestino Yasser Arafat. Ainda na Cisjordânia, outros 130 prisioneiros foram levados de ônibus até a entrada de Tulkarem, onde foram recebidos pelo governador Ezzedine Al-Cherif. Mais quarenta e dois foram libertado em Jenin.
O atentado em Jerusalém coincidiu com uma visita à região de dois emissários americanos, John Wolf e David Satterfield, que tentam encaminhar um plano de paz na região.


