Atentado matou Carlito, diz Menem
Oscar Martínez
France Presse
De Buenos Aires
A denúncia do presidente argentino Carlos Menem, na véspera, de que seu filho morreu há quatro anos num atentado, sacudiu ontem o ambiente político em Buenos Aires, onde a notícia foi classificada de gravíssima.
Zulema Yoma, mãe de Carlos Facundo Menem e ex-esposa do presidente, reiterou também ontem que seu filho lhe falou sobre ameaças que recebeu. Ela sempre defendeu a hipótese do atentado. Inclusive fez isso recentemente ante uma comissão da OEA.
O ministro do Interior, Carlos Corach, disse por sua vez que espera um esclarecimento definitivo do caso.
Por sua vez, o vice-presidente eleito pela Aliança UCR-Frepaso, Carlos Chacho Alvarez, estimou que se isso fosse confirmado seria uma informação gravíssima de alto impacto político.
Esclareceu, não obstante, que não acreditava que isso alteraria a continuidade democrática argentina e o funcionamento das instituições.
Menem disse ontem que a morte de Carlos Facundo, no dia 15 de março de 1995 na queda do helicóptero Bell que pilotava, foi um atentado, e disse que queria a verdade sobre o caso.
Zulema Yoma afirmou ontem que seu filho lhe tinha contado que estava ameaçado de morte, porque soube que seu pai estaria sendo traído, num momento em que assessorava o pai presidente na Casa de Governo.
Zulema assegurou que Carlitos lhe dizia que corria perigo e que tinha certeza que seria assassinado a qualquer momento. Ele me falou de armas, de tráfico de drogas, que estavam traindo seu pai.
Concluiu dizendo que existia um grande encobrimento por parte das pessoas que participavam da gestão governamental.
Também repetiu denúncias de grandes irregularidades cometidas pelo juiz federal Carlos Villafuerte Ruzo e a Câmara Federal de Rosário, e insistiu nas dúvidas que sempre teve sobre o cadáver de seu filho.
Destacou que existem dois crânios, um enterrado e outro no necrotério judicial. Isso se deve, na sua opinião, a intenção de esconder o típico impacto de bala que o cadáver original apresentava. Além disso, Zulema afirma que Menem somente está reconhecendo as provas que existem no processo.
Enfatizou ainda que foi um atentado, não sou eu nem o presidente que diz isso; quem diz são as provas. Lembrem as provas da Gendarmerias e as perícias de Enrique Prueger, que detectou os impactos de bala nos filmes do dia em que os fatos aconteceram. Tem mais, quando fui à fábrica do helicóptero Bell, me garantiram que sem dúvida são buracos de bala.
Sobre as razões do suposto atentado, Zulema Yoma expressou que pode ser uma vingança. Ela recordou também que já há doze mortos nessa causa, de supostas testemunhas que em algum momento tiveram algum vínculo com a investigação da morte de seu filho.
Revelou, ainda, que a família de Silvio Oltra (piloto automobilístico morto junto com Carlitos no helicóptero) recebeu ameaças de morte. Por outro lado, disse estar confiante que o próximo governo do social-democrata Fernando de la Rúa (no dia 10 de dezembro) vai tentar esclarecer o caso.





