O vereador José Luis Ruiz Casado, do Partido Popular (PP, no poder em Madri) de San Adria del Besos (Catalunha, nordeste), foi assassinado ontem de manhã a tiros num atentado. A organização extremista Pátria Basca e Liberdade (ETA) está sendo acusada do atentado.
O crime, praticado por dois pistoleiros, coincidiu com a chegada de Aznar a Barcelona, para participar de um congresso político.
José Luis Ruiz Casado, de 42 anos, recebeu um tiro na nuca ao sair de sua casa. Quando caiu ao chão, um dos pistoleiros aproximou-se, apontou novamente a arma para a cabeça dele e fez outro disparo. No local, a polícia encontrou duas cápsulas vazias de balas calibre 9 milímetros de fabricação checa. Os dois pistoleiros – um homem e uma mulher – fugiram rapidamente num automóvel.
Ao tomar conhecimento da morte de Ruiz, casado e pai de dois filhos, milhares de moradores de Sant Adriá concentraram-se diante da casa da vítima numa tentativa de consolar os parentes. Ruiz é o quarto vereador do PP assassinado pela ETA desde dezembro, quando o grupo extremista suspendeu trégua de 14 meses. Aznar também esteve no local para manifestar pesar do governo espanhol à família.
‘‘A página que estão escrevendo esses vereadores do PP e outras tantas vítimas democratas do terrorismo é algo que os espanhóis jamais encontrarão palavras de agradecimento’’, disse Aznar que esteve na casa de Ruiz para manifestar pessoalmente o pesar do governo espanhol à família. ‘‘Peço aos espanhóis que mantenham sua confiança na política antiterrorista do governo em momentos tão duros como este’’, concluiu.
Por sua vez, o rei Juan Carlos exortou o povo, de Sevilha onde se encontra, ‘‘resistir unido o terrorismo cego da ETA’’.
Com 13 assassinatos desde o início do ano, a ETA lançou uma das mais sanguinárias campanhas da última década em sua luta de mais 30 anos pela independência do País Basco. O Ministério do Interior atribuiu o novo atentado, o primeiro em Barcelona (Catalunha) desde abril de 1994, a uma resposta do grupo separatista basco ao rude golpe recebido na sexta-feira com a prisão no País Basco francês de seu líder máximo, Miguel Gracia Arregui (mais conhecido como Iñaki de Rentería) e no sábado de outros 17 supostos etarras, numa operação conjunta das polícias francesa e espanhola.
Ontem, dez deles foram interrogados pela promotoria francesa que abriu processo contra eles e, em seguida, confinou-os numa prisão de segurança máxima.
Simultaneamente, na capital espanhola, o ex-número 1 da ETA Francisco Pakito Mujica Garmendia assegurava na Audiência Nacional, onde aguarda o pronunciamento de sentença contra ele por atos de terrorismo e assassinatos que o grupo ‘‘tenta não matar civis’’. ‘‘Como militante da ETA, gostaria de dizer que, em suas ações, a organização adota cuidado especial para que não haja vítimas civis, embora desgraçadamente isso ocorra’’, ressaltou. ‘‘Os objetivos são o Exército e a Guarda Civil porque atuam para consolidar o controle político e social da Espanha sobre o País Basco.’’ A promotoria pediu para ele pena de 132 anos de prisão.
Os parlamentares espanhóis e seis ministros fizeram um minuto de silêncio ao meio-dia de ontem, na porta principal do Congresso de Deputados, em Madri, depois do atentado atribuído à ETA que matou o vereador Jose Luiz Ruiz.
Os deputados colocaram-se nas escadas da entrada da Câmara Baixa para prestar sua homenagem a mais uma vítima do terrorismo e entre as pessoas que fizeram parte da manifestação estavam o ministro da Economia Rodrigo Rato, da Saúde, Celia Villalobos, e da Agricultura, Miguel Arias Canete.
Os espanhóis foram convocados a se manifestar ontem à noite, no País Basco, e a fazer ao meio-dia de hoje um minuto de silêncio diante de todas as prefeituras da Espanha.

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