Atentado mata cinco estrangeiros
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segunda-feira, 14 de junho de 2004
Por Fátima El-Issawi<br> France Presse 
Dezesseis pessoas morreram, entre elas cinco agentes de segurança estrangeiros, e 60 ficaram feridas ontem em um atentado suicida com um carro-bomba no centro de Bagdá, o segundo deste tipo realizado nas últimas 24 horas.
A coalizão também confirmou a morte de dois britânicos, um francês, um americano, um americano e um quinto estrangeiro ainda não identificado. Segundo um diplomata ocidental em Bagdá, o quinto morto seria um filipino e os cinco agentes trabalhavam para uma empresa de segurança que prestava serviços à americana General Electric. De acordo com um balanço feito a partir de informações de três hospitais de Bagdá, mais 11 iraquianos morreram e 56 ficaram feridos, entre eles um nigeriano e um sudanês.
A coalizão e as autoridades iraquianas, a quem o poder vai ser transferido no próximo dia 30 de junho, condenaram o atentado e admitiram acreditar que a violência deve persistir até o final do período de transição.
O primeiro-ministro Iyad Allaoui prometeu tomar medidas firmes contra os autores deste crime depois da transferência de poder. O general americano Mark Kimmitt, chefe-adjunto das operações militares da coalizão, denunciou ''mais um exemplo desprezível de ataques contra aqueles que estão ajudando na reconstrução'' no Iraque.
O atentado visou um comboio de três jipes, geralmente utilizados pelo pessoal da coalizão. A explosão aconteceu por volta das 8h15 locais, às margens do rio Tigre, do lado oposto ao que fica o QG da coalizão.
Um dos três veículos do comboio foi totalmente destruído. Pedaços de metal e de corpos humanos jaziam sobre a calçada. A explosão fez um grande buraco no chão. A fachada de um edifício também foi destruída por completo.
''O camicase a bordo de um veículo de marca alemã fabricado no Brasil se meteu entre eles antes de provocar a explosão'', afirmou o comandante da polícia Mohammad Saleh.
Cerca de 200 habitantes, revoltados e contrários à ocupação americana, quebraram os vidros dos carros e atearam fogo a eles, alimentando as chamas com latinhas de cerveja retiradas de um depósito de bebidas atingido pela explosão. ''Não à América! Não ao conselho de governo!'', gritavam os iraquianos enquanto jogavam pedras nos veículos.
Libertação - As forças da coalizão libertaram ontem mais 405 presos iraquianos da prisão de Abu Ghraib, a cerca de 20 km a oeste de Bagdá. O número de pessoas libertadas foi menor do que o anunciado sábado pelo general Mark Kimmitt: pelo menos 650 iraquianos. Muitos familiares que foram ao local aguardar a saída de seus parentes voltaram para casa frustrados e decepcionados.
O Exército americano não explicou por que motivos foram libertados menos prisioneiros que o previsto. Nesta terça-feira, outros 112 iraquianos devem ser libertados em Abu Ghraib.
Os presos deixaram o local pela manhã, em ônibus escoltados por veículos militares, em meio a dezenas de iraquianos que se aproximavam da porta da prisão para aguardar a saída de algum familiar ou simplesmente obter informação. Centenas de prisioneiros já foram libertados nas últimas semanas deste complexo penitenciário, em meio a um escândalo causado por maus-tratos infligidos a alguns pesos por soldados americanos.
Muitos iraquianos que se aproximaram da porta da enorme prisão não escondiam a raiva contra as forças da coalizão. Khawad Kazem, um comerciante de 44 anos, do bairro sunita de Adhamiya, de Bagdá, que tem um filho de 15 anos preso há um mês, rebelou-se. ''Fazem operações para prender crianças nas ruas. Esta é a potência americana?'', questionou Kazem, que afirmou ter visto o filho apenas uma vez depois da prisão.


